Em jornal da Região Autónoma da Madeira, um artigo de opinião assinado por “Alberto João” partia da sua visão do protesto que teve lugar na Guarda, em 10 de junho, para disparar um conjunto de ataques pessoais, bem ao seu estilo. Não irei ripostar por seis razões principais: 1. A nossa vida não merece ser desperdiçada a comentar atoardas;

2. O estilo literário revela um nível ao qual não gosto de me baixar;

3. Por ser alguém que se acha no direito de chamar seja o que for a qualquer um – de delinquente a Edite Estrela a “filhos da puta” e “bastardos” a jornalistas – mas que se comporta como donzela ofendida quando, como aconteceu com Daniel Oliveira, este o considerou “palhaço”;

4. Por se tratar de quem, sobre Cavaco Silva, tem um histórico interessante, tendo acusado o “Senhor Silva” de ser alguém neste país porque o PSD o fez, defendendo a sua expulsão para limpar o partido;

5. Para não ferir quem, mesmo em cuecas na televisão, jamais perde a distinta postura que se lhe reconhece, não alinhando em rafeiras posturas revolucionárias;

6. Por muitos outros motivos que são aqueles que quase todos os que falam desta personagem referem…

Mas ainda assim, sinto-me no dever de solicitar a divulgação deste esclarecimento, simplesmente porque são feitas afirmações que não correspondem à verdade e o respeito que merecem os leitores da imprensa madeirense justifica que se faça a necessária correção. Não me refiro, claro, às referências (simpáticas… confesso) à minha militância sindical, à poluição sonora das “manifestações” (acredito que aborreçam o governante em fim de linha) ou mesmo à militância política “vermelha” (cruz, credo!).

O que acontece é que este, como qualquer outro Alberto ou João, não poderá ter visto fosse quem fosse a rir-se da indisposição de Cavaco Silva, em 10 de junho, na Guarda, pois onde se encontravam os manifestantes, entre muitas outras pessoas, não havia som para que se ouvisse o que estava a ser dito, nem visibilidade (eram algumas centenas de metros) para perceber o que se passava. Assim, só praticamente quando o Presidente regressou de novo à tribuna se soube, naquele local, pelos jornalistas que contactavam entre si, que Cavaco Silva havia desmaiado. Várias declarações que, no final, foram feitas a canais de televisão por alguns dos presentes foram, desde logo, esclarecedoras disto mesmo. Por exemplo, à pergunta “acha que o Cavaco Silva se poderá ter sentido mal devido ao protesto”, que me foi feita à saída daquele local por um canal de televisão, respondi não acreditar e que, provavelmente, terá sido o esforço daqueles dias que provocou a situação (ao que parece, estas declarações não foram [assim] ouvidas). Acrescentando-se, como é evidente, que, contudo, a eventual indisposição de quem está no poder não pode impedir que se proteste, quando são muitas as razões para o fazer.

Feito o esclarecimento sobre o que é objetivo e factual, nada mais me apraz dizer sobre a “opinião” de “Alberto João” para evitar qualquer reação que nos transporte para tempos que sabíamos terem existido, mas apenas pelos vestígios fósseis que nos tinham chegado. Aproveitando uma referência de AJ, mas recuando no tempo, deverei confessar que Homo habilis, Homo rudolfensis, Homo erectus ou Homo florensiensis correspondem a alguns desses vestígios que já conhecíamos, embora, apenas fossilizados.

Mário Nogueira