A clara incompatibilidade entre as funções partidárias de Jaime Ramos e uma eventual candidatura do mesmo dirigente aos órgãos do partido, deram o mote para uma interessante discussão. Interessante e quase inédita, pelo menos no círculo do poder que temos tido, já que em tantos anos de hábitos que distorcem regras elementares, a coisa até parece anormal... O que temos assistido chega a ser caricato. Não só no caso em apreço, que de novo apenas apresenta o facto de ser PSD’s contra PSD’s, mas sobretudo em tantos outros onde tem imperado a arrogância que marca este regime. O que se nota é que, perante tanta fartura, a arrogância apoderou-se dos nossos líderes, liderzinhos, liderzecos e por aí fora, no governo e nas suas centenas de departamentos, na câmara municipal, na junta de freguesia, na casa do povo e até no clube da freguesia. Apoderados de uma chave que dá acesso a um poder qualquer, ninguém larga nada, por nenhuma razão deste mundo. Não há razões de ética, moral ou, no limite, respeito pelo próximo, que instigue as nossas figuras, figurões, figurinhas, a terem um palmo de vergonha na cara. Nas últimas duas décadas tem sido sempre assim, salvo raras e honrosas excepções, o que equivale a não contabilizar manobras de esperteza saloia – actos que transparecem desapego e que, afinal, no momento seguinte se transformam logo em atitudes de redobrada soberba ganância para açambarcar algo mais do que já detinham. O novo ciclo que forçosamente vem aí não é apenas a mudança do líder do partido que nos governou durante 40 anos. É muito mais do que isso. Tem de ser um ‘up grade’ na nossa sociedade, em que a regra elogiada não seja ao do ‘chico esperto’ e do oportunista, mas que se comece a considerar outros valores como a ética, o respeito e o mérito. Quanto a esta e a outras brigas dentro do PSD, creio que eles são todos grandes e vacinados; banquetearam-se e poucos se queixaram. Agora resolvam lá essas tricas como bem entenderem. Cá fora, a sociedade madeirense espera por um novo PSD, menos arrogante e egoísta. Enfim, um partido normal, com comportamentos normais.