Anabela de Jesus G. Rocha Sousa Queremos acreditar.
Acreditar para ter esperança, sentir que existe um plano A e porventura um plano B. Se não acreditamos, deixa de valer a pena, deixamos de sentir, e se não sentimos, o vazio é o cenário de fundo da nossa vida.
Desde cedo aprendemos a viver com regras, somos formatados para fazer parte de uma sociedade parametrizada onde a excepção dificilmente é aceite.
Numa ilha pequena como a nossa, é difícil fugir a essa parametrização. Ser diferente dá trabalho, é mais fácil ser igual, aceitar sem questionar. Questionar põe-nos em evidência, faz-nos bichos raros.
No livro do Desassossego, Fernando Pessoa escreveu “ Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida, como mudamos de roupa”.
Quando somos jovens achamos que dá tempo, quando somos velhos achamos que não temos tempo e entretanto o tempo não perdoa e torna-nos seus reféns.
Somos reféns de tanta coisa… dos políticos, dos bancos, do dinheiro, dos vícios e principalmente do medo. O medo que faz com que por exemplo, aceitemos leis e comportamentos, descaradamente em nosso prejuízo. O medo que assalta a nossa consciência quando olhamos os nossos filhos e vemo-los partir com um canudo debaixo do braço e uma mala cheia de nada. O medo que os nossos filhos percebam que temos medo.
Queremos acreditar que irá chegar alguém que irá mudar tudo, que irá nos devolver a esperança. Mas só nós é que podemos dizer basta, porque o problema não é só de quem causa o mal, é essencialmente de quem observa e deixa o mal acontecer.
Como disse Antoine de Saint-Exupéry “Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções.”