Regressei a Brasília 18 anos depois e em circunstâncias completamente distintas. Dessa viagem para a cobertura jornalística da visita oficial do então primeiro-ministro António Guterres, guardei uma imagem muito positiva da capital brasileira: cidade moderna, inteligentemente “desenhada” e planeada. Um exemplo! Agora, guardava algumas expectativas sobre como voltaria a encarar esta cidade que tanto me impressionara, em especial aquele ‘desfile’ de ministérios governamentais, numa única avenida e em prédios iguais. Ou os passeios ‘ondulados’ para agilizar a circulação de pessoas e veículos. Não fiquei defraudado. Acho que ainda vou passar a gostar mais desta cidade, sobretudo porque para trás, nestes 15 dias, ficaram cidades que não me encheram as medidas. Sim, talvez seja efeito dos resultados de Portugal... Mas este Brasil, o de Brasília, é outra música, se comparado com o de Manaus, Campinas, Salvador e até a electrizante São Paulo. Transpondo as expectativas para o futebol, e para o que está para acontecer esta tarde no Estádio Nacional, em Brasília, também gostaria de ver mais Portugal, tal como estou a ver mais Brasil. Da conferência de imprensa e dos 10 minutos de treino de ontem, e sobretudo das polémicas internas dos últimos dias, não detectei nada que me atenuasse o pessimismo pessoal. Tal como há 12 anos na Coreia do Sul, após a entrada em falso com os Estados Unidos, a nossa Selecção necessitava de impor-se no terceiro jogo, teoricamente o mais fácil, e esperar que no outro jogo tudo saísse a nosso favor. O que viria a acontecer. O problema é que o Portugal de João Pinto optou pelo boxe, perdendo para o futebol dos coreanos. Receio sinceramente que a Alemanha faça o que tem a fazer - bater os Estados Unidos, com golos suficientes para nos limpar o ‘goal average’ negativo face aos americanos. Não acredito é que Portugal faça o que lhe compete. Mas, de bom grado, engolirei todo o meu pessimismo, se os nossos jogadores encarrilharem, finalmente.
Agostinho Silva em Brasília [email protected]