Depois daqueles brilhantes resultados nas eleições europeias - que este ano alguém afirmou serem muito importantes - começou uma azáfama “clubística” - leia-se, partidária - para discutir as vitórias, que ninguém teve e as derrotas, que foram de todos sem excepção, a começar pelo povo português, cujo score negativo foi de 7:3! Demonstrando o grande desinteresse “clubista” !!! ... podiam votar em branco e assim demonstrar o cumprimento do seu dever cívico! E ficámos a saber que passados quarenta anos de livre democracia - talvez deformada na sua estrutura espinhal - nos tornámos amorfos, abúlicos, ateus, quiçá acéfalos, ... e até ávidos de alimentos - porque somos hoje 50% de obesos, que consomem o dobro do que é necessário! Neste rodopio pós-eleitoral, vejo e revejo nos écrans públicos e privados, os donos e os amigos dos donos dos “clubes” - clubes com cores vermelha, laranja, rosa, azul claro e outras - a referenciar os votos que agora têm de ir buscar á esquerda, á direita...! E eu pergunto - O que é isso de direita e de esquerda? Qual é a diferença e para que serve uma e outra? E já agora, qual é a melhor? A Rússia e a Venezuela são de esquerda, suponho eu, ... e que tal se vive por lá? E, continuando o meu comentário, os tais donos e amigos dos donos dos clubes até falam em eleições antecipadas, ... dentro deles próprios, dentro do País, para se “apalpar” a vontade popular, outra vez! - Está visto, que quando se derrama açúcar, aparecem logo as formigas! Não entendem que mais eleições, são mais derrotas! E nenhumas vitórias, para além do dinheiro que se gasta! Na prática, no ano de 2014, em Portugal, de que serve ser de direita ou de esquerda? Não são uma e outra auto-denominações pessoais, ou cognomes, sómente para certas apetências cromáticas, sejam elas, grenás, rosadas, alanranjadas, azuladas ou esverdeadas? Vazios de compromissos, de conhecimentos ou de sentimentos? Quem manda hoje, é o capital, é o petróleo, são os interesses superiores das Grandes Nações, são os grupos económicos, são as grandes empresas mundiais, e a direita e a esquerda, são simplesmente cores e nada mais do que isso! Só no trânsito é que se sabe que a direita é para lá e a esquerda é para cá! Com a excepção do Reino Unido e sua Commonwealth! O Abril de 74 teve a sua causa remota: o regime antidemocrático. E a sua causa próxima: a guerra no ultramar. Só uma revolução podia acabar com tudo isto. Com iniciativa militar, tal como aconteceu. E passadas quatro décadas, ainda não estabilizámos, ainda não aprendemos e por isso ainda não sabemos como governar o País! E ainda falamos de esquerda e de direita? Quarenta anos depois? Vamos lá perceber que, agora, tudo, mas tudo, são negócios: a política é um negócio, a doença é um negócio, a religião é um negócio, ... Meu Deus ... reparem bem que a vida toda está a ser um negócio! Para que serve ser de esquerda ou de direita? Caramba! Estou a falar de política há meia-hora! É demais para o meu género!

José Manuel Morna Ramos