Sempre achei que uma mãe é uma mãe. Seja pobre, rica, mais jovem ou mais madura. Uma mãe protege, embala, conforta. Erra muito, não é infalível, mas é uma mãe. E uma mãe é uma mãe.

Por mais diferentes que as mães sejam, há uma linha que as une e isto nem sequer se explica.

Já vi adolescentes fazerem pausas no alto da sua imaturidade e rebeldia para assumirem o papel de progenitoras, sem repreensão. Já vi mulheres sofrerem uma vida para conseguirem ter um filho e outras 'morrerem' da dor de ver um filho sofrer uma doença, um acidente e até desaparecerem prematuramente. Já as vi super-protectoras, mais distantes, com maiores e menores dificuldades na dura tarefa de educar, mas sempre mães.

As pessoas não são todas iguais, nem as mães, é certo. E, por isso, quando me diziam que a mãe do pequeno Daniel não dava sinais de preocupação aquando do desaparecimento do filho, desvalorizei sempre. Não me parecia, nem me parece hoje, que haja um reacção tipo a um desaparecimento de um filho. Imaginei que o choque e a ânsia de o voltar a ver pudessem ter criado uma capa e que foi essa imagem que nos entrou na televisão. As pessoas não reagem todas da mesma forma ao sofrimento, pensei.

Uma mãe é uma mãe. E uma mãe não vende um filho. É nisto que acredito. Uma mãe até se pode afastar deste, com a certeza de que vai ter um futuro melhor, mas não recebe dinheiro por isso. Só vejo acontecer uma situação dessas, uma mãe abdicar da presença de um filho, em última linha de sobrevivência, o que me parece, apesar da miséria, que não seria este o caso.

Mãe é mãe, acredito. Tudo o resto são excepções, que se esperam muito raras.