O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil considera que a data indicada pela TAP, 1 de Julho, para normalização dos voos "não é viável e que a situação só tenderá a agravar-se ao longo do Verão, sendo este um erro de gestão da administração da companhia aérea".
Os problemas começaram no início deste mês e tornaram-se visíveis com o aumento de passageiros no Verão. As razões são diversas: “O número de trabalhadores é insuficiente, não só de tripulantes de cabine, como de pilotos e até mesmo de pessoal da manutenção de aeronaves. A TAP está a operar no limite em termos de frota e de trabalhadores, e ao minuto, o que faz com que um contratempo comum, como um atraso num voo, prejudique toda a operação e não haja capacidade de resposta.”, explica a Direcção do SNPVAC.
“A raiz do problema é a má gestão da tutela e da administração da TAP, que uma vez mais não acautelaram atempadamente a operação de Verão. Este é um problema recorrente desde há vários anos, sem que a empresa se mostre empenhada em encontrar definitivamente uma resolução para a sua operação. Os passageiros para além de sofrerem com atrasos e cancelamentos ainda estão sujeitos a não ter a qualidade a bordo a que estão habituados.”, acusa o Sindicato.
O sindicato também refere que estão a decorrer consecutivos fretamentos, de aviões com tripulantes técnicos e comerciais, a outras companhias aéreas, inclusive à Ibéria, que tinha declarado guerra à TAP desde que esta entrou na América Latina.
Os tripulantes de cabine da companhia aérea nacional têm assistido a mudanças sucessivas nas suas escalas de serviço, existindo casos em que estão horas em terra à espera de nova atribuição de voo. “Estas situações, para além de prejudicarem os passageiros, transtornam a própria vida familiar dos tripulantes. A TAP não está a cumprir a garantia de estabilidade do planeamento de voos a que se comprometeu com os tripulantes no Acordo de Empresa firmado por ambas as partes”, afirma a Direcção do SNPVAC.
“Desde Setembro de 2013 que se fala em novas contratações de tripulantes de cabine, mas a verdade é que ainda não estão completamente concretizadas. A TAP reduziu a formação necessária para 18 dias – o que pode pôr em causa a qualidade operacional – e iniciou-a tarde, sendo este mais um exemplo de fraca gestão.”, revelam os responsáveis.
“Não aprenderam com os Verões anteriores? Com as chamadas de atenção dos vários sindicatos, nomeadamente as do SNPVAC? A administração da TAP e o Governo, que consideram que a TAP vale mais agora do que em 2012, estão a torná-la apenas mais apetecível para a privatização. Mas o serviço prestado neste Verão só vai piorar porque os trabalhadores não são suficientes para a frota actual, agravando-se com as novas linhas e os novos aviões, que ainda não estão operacionais.”, conclui a Direcção do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil.
