Quase ninguém acredita que Portugal consiga seguir em frente no Mundial, mas as contas só se fazem depois do último jogo contra o Gana. Parece uma sina que tenhamos de fazer contas em todas as competições desportivas em que participamos, que tenhamos de disputar play-offs e liguilhas. E parece que só com lesões não muito entendíveis é que este treinador começa a renovar uma equipa que ainda vai depender dele até ao próximo europeu. Agora são as críticas à ausência do 2.º defesa esquerdo, à lentidão de Veloso e Meireles e às duas horas que levou Bruno Alves a levantar-se para colocar o americano em fora de jogo. E aos interesses dos empresários e às birras de jogadores e treinador que fazem com que alguns abandonem a equipa nacional. E só espero que o adjunto seja bem melhor ou vamos ter mais uma época “não” no Marítimo. Claro que temos jogado mal, mas também é claro que os árbitros não parecem querer ser, no mínimo, justos com os portugueses. Têm sido mesmo das piores equipas que se têm exibido no Brasil. E embora não tenhamos ganho nenhum jogo até agora, não esquecemos que os campeões em título já nem sonham e que a grande Inglaterra também já desmarcou as reservas para a fase seguinte. Sim, podemos bem com isso. Mas não estamos sós nesta desilusão.
Vá lá que o mundial de futebol ainda vai a meio, o povo vai-se distraindo e nem liga ao resto. Passamos bem com as obras das ribeiras, todos os dias muda qualquer coisa no caos de trânsito que é o Funchal. Já há gente a ver água do mar à porta do mercado e vão encontrar maneira para que esta chegue à porta da praça, o peixe ia directamente para as bancas, sem passar pela lota. Há mesmo quem diga que a avenida do mar vai ficar cheia de peixe e calhau quando chegarem aquelas tempestades de sul. O novo porto de cruzeiro vai servir de rampa! Vai parecer o Lugar de Baixo, sem golfinhos e recheado com toda aquela pedra que vem das escarpas onde foram gastos milhões em consolidações. Vá-se lá saber de que consolidações estão a falar.
O governo anda às turras com o tribunal constitucional e os ministros andam baralhados nas justificações e consequências. Não acertam uma e atrasam o reembolso do IRS. Aumentam os impostos e são os primeiros a prevaricar nas faturas, quando ao universitário nem recibo passam pelo que paga quando come na cantina.
Conseguem penhorar mesmo sem razão e até quando devem mais ao cidadão do que são credores. E esquecem-se da justiça quando os governantes cometem autênticos crimes nos gastos de dinheiros públicos, basta olhar algumas continhas de telemóvel que apareceram por aí. Há sempre uma saída limpa para os verdadeiros cangalheiros das nossas finanças, até recebem de prémio verdadeiras cadeiras de sonho em qualquer empresa pública ou privada. O crime compensa quando os amigos também comem da mesma malga. Hoje por mim, amanhã por ti, é uma autêntica maçonaria. E ou fazes parte dela ou ficas a leste de quase tudo.
Paulo Gomes