
As férias, para os jornalistas, têm uma vantagem extra: permitem ver (ler) os acontecimentos de fora, sem a deformação profissional e o stress do fecho da edição. E isso é bom, sobretudo porque há coisas que até podem ser naturais em 'tempo de trabalho' mas dão vontade de rir quando são lidas com o som do mar como tema de fundo.
Foi assim que fiquei a saber que o Governo Regional não esteve presente numa iniciativa de lançamento da 'marca Santa Cruz', ao contrário dos representantes de vários sectores, desde a economia à cultura e ao ambiente. O Governo não foi e, pelo que se percebe dos relatos, não fez falta nenhuma. Até ajudou, não atrapalhando.
Porque é precisamente isso que neste momento faz o ainda chamado Governo Regional: atrapalha, embaraça e mete dó.
Desde a assinatura do plano de ajustamento económico que o executivo regional só existe no papel e, antes disso, quando fechou a torneira dos fundos europeus, já de pouco servia. Um Governo que teve como única estratégia a obra pública, é perfeitamente incapaz quando é necessário ir mais além, quando o que se pede é criatividade e inteligência.
Por isso, até deve ter sido positiva e, de certa forma, honesta, a ausência dos debates em Santa Cruz. Quando não se tem nada para dizer o melhor é ficar calado. Deve ter sido isso que decidiu o executivo madeirense. Porque quando não age assim, os resultados recentes têm sido uma lástima.
Outra notícia lida em tempo de férias, provavelmente resultado do célebre efeito do 'sol na moleirinha', é aquela ideia engraçada do 'delfinário' naquela que já foi chamada Marina do Lugar de Baixo.
Só mesmo em plena corrida à liderança do partido, em que tudo serve para aparecer, mesmo as ideias mais malucas, se admite uma coisa destas.
Num lugar que fez jus ao Hino da Região, em que o verso 'do mar à serra' foi respeitado à letra – o mar destruiu e a serra esmagou -, admite-se a construção de um 'zoomarine', com golfinhos e outras espécies. Não se explica como serão levadas pessoas para este local – a experiência da Casa da Cultura da Calheta que está às moscas não serviu de nada – e como será contrariado o mar que já disse, várias vezes, que não quer nada ali,
Só há uma coisa positiva: os golfinhos vão estar muito pouco tempo em cativeiro. É só esperar pelas primeiras marés vivas.
Por tudo isto, era bom que alguém lembrasse a este Governo que tem pouco mais de um ano de vida e que a sua melhor decisão era não atrapalhar, sair de cena e esperar pela guia de marcha que, na pior das hipóteses, chega a meio do próximo ano.