OInverno chegou ontem formalmente ao Brasil, coincidindo com a nossa chegada a Manaus. Para início desta ‘tempestade’ nada mais do que 33 graus, sem chuva mas com alta percentagem de humidade. Para nos ambientarmos a estas condições meteorológicas, a Selecção Nacional treinava finalmente à hora do jogo enquanto eu também experimentava subir oito lances de escada para aceder ao quarto piso onde está instalada a Tribuna da Imprensa. Sufocante, pelo menos para mim. Para Portugal, logo ao final do dia saberemos. Em termos classificativos, estamos como ‘gostamos’ no Grupo G: no último lugar e com mais um concorrente a ressuscitar - o Gana empatou com a Alemanha e piorou a situação de Portugal. Nós já conhecemos a nossa Selecção, quanto mais difícil for o próximo desafio, maiores são as probabilidades de suplantarmos as adversidades, que hoje são a motivadíssima equipa dos Estados Unidos, a nossa péssima classificação, o descrédito generalizado em relação ao nosso apuramento, a elevada temperatura ambiente, a ausência de jogadores fundamentais e o facto de Cristiano Ronaldo continuar a 10% das suas capacidades. Para o jogo de logo à tarde em Manaus (bem tarde na Madeira), pouco interessa quem vai jogar. O que interessa mesmo é ver a forma como cada um dos intervenientes dará o que tem, e o que não tem, dentro de campo. Nos últimos dias, neste Mundial temos visto grandes surpresas entre as equipas de quem menos esperamos: a Costa Rica, o Irão, o Gana... Portugal terá de descer do pedestal de quarto lugar do ranking FIFA e entrar em campo como ‘terceiro-mundista’ da bola. Pode parecer humilhante, mas nós é que temos de surpreender os Estados Unidos! Apesar de tudo, a Selecção Nacional continua a dispor de um enorme apoio no Brasil, o que reforça sobremaneira o fraco contingente de apoiantes que viajaram apoiar a equipa. Mais uma razão para que Portugal apareça hoje na Arena Amazónia determinado a dar a volta a isto!

Agostinho Silva em Manaus [email protected]