Foi notícia, há pouco mais de uma semana, aquilo que alguns rotulam de “gestão”, outros de “entrega” e, outros de “transferência” da Fortaleza do Pico, no Funchal, para a Região, cujos detalhes parece estarem ainda em ajustamento. De qualquer modo, deve ficar claro que não é de uma alteração patrimonial que se trata - a Fortaleza é e, obviamente, continuará a ser Património Nacional; deverá mudar a responsabilidade da gestão, do seu “uso” que, pura e simplesmente, deverá passar para a competência dos organismos regionais. Vem a propósito recordar que a construção da Fortaleza do Pico foi iniciada durante o domínio filipino durante o qual ficou concluída a construção da Fortaleza de São Lourenço, posteriormente classificada como Palácio. Qualquer delas viria a ser, através dos tempos, motivo para discussões, por vezes especulativas, com risco de se eternizarem e que foi tema, por mim, diversas vezes abordado, neste mesmo espaço do Diário, durante a última dezena de anos. Cabe salientar que, em Novembro de 2005, o Ministério da Defesa de então, proferiu um despacho desfavorável a um requerimento de deputados Madeirenses na Assembleia da República, que pretendiam a transferência para a Região, da responsabilidade pela gestão de espaços - desnecessária e impropriamente ainda ocupados por militares - pelo que a notícia agora divulgada, faz renascer a esperança por que todos os Madeirenses há muito tempo ansiavam. Relativamente à Fortaleza do Pico, recorde-se que a mesma desempenhou um papel importante para a defesa marítima do Funchal, nomeadamente contra os corsários que foram uma séria ameaça, nomeadamente, nos tempos da Restauração e que se estendeu até o início do século XVIII. Perdida essa sua importância, por assim dizer, estratégica, a fortaleza manteve-se sob jurisdição militar, desnecessariamente, como se percebe. Ora, com a saída dos militares, a sua conversão em um novo polo de atracção turística, em local donde se pode gozar um deslumbrante panorama sobre a baía e a cidade do Funchal, importa que seja acautelado e ponderado o seu futuro, prevenindo contra certas apetências especulativas que espreitam as oportunidades. Quanto à Fortaleza de São Lourenço – agora classificada como Palácio - sobranceira ao mar, dominando a “Porta de Entrada” nobre da Região, uma vez mais me permito recordar que urge assegurar a sua desocupação pelos serviços militares e a entrega de todo o Palácio à RAM, indispensável que é, para que possa concretizar-se a criação da tal sala de visitas e de convívio das gentes da Madeira e de quantos a visitam e revisitam, assim como a sua conversão num espaço histórico-cultural, que poderá incluir os Museus da História e das Actividades Económicas da Madeira e um amplo Centro Cultural – um projecto que defendo desde o lançamento em 2001 da iniciativa do Diário “É MEU. É SEU. É NOSSO”. Importa pois aguardar e, oxalá, as perspectivas se concretizem – pela Madeira, sempre...!
Francisco Leite Monteiro