Sérgio Poitier Com a contabilização da prostituição, da droga, do contrabando, prevista no método estatístico europeu (SEC 2010) a partir de Setembro deste ano ( e que o INE já contabilizava nas suas análises às contas portuguesas para cálculo do PIB) é demonstrativo que a economia marginal nem sempre provêm de redes independentes que funcionam à margem da lei. O próprio sistema político está na economia subterrânea porque a contabiliza por estimativas, sem certezas. Uma estimativa não é uma certeza.. Quando os governos querem incluir no Produto actividades ilegais para produzirem crescimentos artificiais que não têm quaisquer efeitos práticos no do dia-a -dia dos cidadãos, isto não é sério. Querer mostrar que o PIB cresce só em teoria, mas que nada muda na economia real nada, na medida em que, o estado não consegue cobrar impostos directos, no caso da prostituição ou no tráfico de drogas, é brincar com o povo. Com este expediente, é óbvio que o PIB cresce ficticiamente, a divida pública também desce (já que é medida em função do PIB) o mesmo acontecerá com o défice, mas no fundo nada muda. Os credores da divida querem receber o valor real a que tem direito e não um valor virtual, criado por uma instituição europeia, em que os governos nacionais nem tugem nem mugem. Esta contabilidade criativa europeia (que fez rebentar a crise de 2008 que começou nos EUA) só demonstra que as pessoas continuam tão inconscientes das interdependências económicas marginais. O PIB real só pode ser calculado através da B. de Pagamentos (procura externa líquida), pelo o investimento e pela procura interna (PIB = Consumo + investimento público ou privado + exportações - importações), através de 3 métodos, sendo um deles, o método das mais valias. A contabilização de actividades ilegais para o Produto é um embuste, precisamente porque são ilegais. As actividades ilegais só contariam para o PIB se passassem a ser legais, se o estado tivesse acesso a números concretos, porque haveria cobrança efectiva de impostos. Nas actividades ilegais, cria-se de facto riqueza (mais que não seja através de impostos indirectos aumentando a procura interna e externa), mas o estado não tem capacidade de cobrança fiscal por via de actividades ilegais. Nestas situações as algemas do estado são de plástico. Infelizmente a ignorância sobre o mundo que nos envolve, é a consequência da teoria das ilusões económicas em que vivemos (imposta por quem nos governa), um labirinto de fumo e espelhos que altera a realidade e que impede que tenhamos a percepção clara dos acontecimentos. É nesta farsa que queremos viver?. Penso que não. A não ser que a sociedade queira afundar-se em ilusões fantásticas fabricadas para que as pessoas tenham capacidade para enfrentar um mundo em ruínas. PS: Caros amigos: Devo confessar-vos se alguém liga a uns artigos destes ou a qualquer outro, já que cada vez se vendem menos jornais, prova do que afirmo, é o que se está a passar na Controlinveste. As pessoas estão fartas de opiniões, de políticos vigaristas de partidos, que entretêm as pessoas com o mundial e com festas populares, e com o blá blá do falso crescimento económico, enquanto aquelas não têm emprego e passam fome. Ou isto muda ou vai haver guerra. De certezinha absoluta. Ninguém pode viver num mundo virtual, sempre a ser enganado.