Estabilidade. É o que se espera do Governo. Já que não conseguimos ter um Governo capaz de responder aos anseios da população, ao menos que tenhamos um Governo estável na sua forma de atuar. É o mínimo que se pode pedir. Além do famigerado PAEF, do peculiar PAEL e das exuberantes PPP’s, a mensagem de esperança não é nada clara. O Presidente, que há muito anunciou a sua saída, despoletou uma corrida ao trono que não faz lembrar rigorosamente nada porque é inédito. Arrisco-me a dizer que é um case study. Além de existirem seis putativos candidatos à liderança, dos seis, quatro desempenham cargos decisivos de extrema relevância, cargos que obrigam à tomada de decisões sobre o nosso futuro, e que poderão ser tomadas sem pensar na população mas na necessidade de garantir o voto nas eleições internas. Uma coisa é existirem guerras internas em partidos que, quer queiramos, quer não, são oposição. Outra coisa é o Secretário Regional anunciar o encerramento de Estabelecimentos de Ensino, o Sr. Presidente de Câmara sentir-se ofendido – como se, em algum momento, o Sr. Secretário tivesse perguntado a algum Presidente de Câmara se achava bem fechar algumas escolas no Concelho – e o Sr. Vice (que não tem a tutela da educação) saltar em auxílio do seu grande apoiante interno, contra o Sr. Secretário que, ao que parece, manifestou apoio a outro candidato interno que, por sinal, também é Secretário. Estes comunicados, desmentidos, tomadas de posição contrárias de governantes vem fragilizar os madeirenses em dois aspectos: 1) A par das mudanças protagonizadas em ambiente educativo, seja a nível dos alunos, seja a nível das condições profissionais proporcionadas aos professores, existe agora a instabilidade sobre o futuro das escolas que, encerradas, obrigam a reestruturação. Mas encerradas pela voz do Sr. Secretário da tutela e reabertas pela Vice-Presidência, é instabilidade a mais. 2) São decisões que devem ser tomadas estrategicamente e não enquanto posição de força, a ver quem sai mais forte deste duelo. Mais parece a Torre de Babel, assente na cota 500. Que Alberto não seja um Cavaco e que, a pronunciar-se, ponha fim a este jogo de cadeiras pelo menos àqueles que estão em exercício de funções na equipa de Governo.
Orlando Fernandes