Manuel Ascensão da C. Andrade Na terça-feira, dia 17, fui surpreendido pela triste notícia do teu pensamento. E quão difícil foi aceitá-la, meu Deus! Imediatamente um turbilhão de recordações me veio à mente. E vi-me há sessenta anos na Escola Salesiana de Artes e Ofícios, onde estive internado nos anos lectivos de 1952-53 e 1955-56. por aquele tempo uma pobre escola técnico profissional. Mas era uma grande instituição. E lá vivíamos, então, em espírito de família. E tu, meu caro Roxo, eras já um adolescente de 16 anos quando eu lá entrei. Eu tinha apenas doze anos. E suponho que terás entrado uns quatro anos antes de mim. Sendo ambos de Machico não nos conhecíamos até então. Mas desde logo o nosso relacionamento foi excelente. Eras um bom colega; simples; bem-humorado; prestável; e sem complexos de superioridade. E eu via-te como um modelo a imitar. Admirava a tua capacidade intelectual e maestria. Mas também a tua habilidade para o futebol. E coincidíamos nas nossas simpatias clubísticas (pois éramos ambos do Nacional e do Belenenses). E ainda apreciava o teu aprumo, o teu brio e discrição como comandante de castelo da Mocidade Portuguesa da nossa escola, sem manifestações de vaidade, arrogância ou exibicionismo. Tu eras um aluno destacado e uma referência para os mais novos. Mereceste o respeito e admiração dos colegas e dos superiores. Depois a vida separou-nos. E durante cerca de trinta anos quase não nos vimos e pouco soubemos um do outro. Mas, a partir de meados dos anos oitenta, quis o destino que voltássemos a ter algum contacto, ainda que esporádico. E mágoa me fica por não ter sido maior. O nosso amigo comum e colega que foi, João Nicolau Melim, faz suas muitas das minhas palavras. E tanto ele como eu e o Belarmino Rodrigues não esqueceremos o teu sorriso, boa disposição e alegres momentos que passámos. Idênticos sentimentos terão outros antigos alunos e superiores ainda vivos. Estou a lembrar-me do nosso querido amigo comum, salesiano, senhor Baltazar. Todos desejamos que a tua alma descanse em paz, na plenitude da felicidade eterna junto de Deus.