O futuro de uma região, de uma nação e, até, de um continente, mede-se pelos seus recursos. Que brotam de fontes naturais e da terra e da formação das suas gentes e dos seus cérebros. É consentido que essa equação resultará do que agora se convencionou chamar de boas práticas e de sustentabilidade, que não é nada mais do que a correcta aplicação do conhecimento que todos temos ou vamos adquirindo e das potencialidades ou capacitações que podemos e devemos desenvolver enquanto cidadãos. O problema que está a surgir agora é o da renovação das pessoas, da aplicação do conhecimento que foi adquirido com investimento público, com o esforço de muitas famílias, com a perseverança de muitos que quiseram alcançar patamares superiores e que depois não encontraram as condições favoráveis para atingirem objectivos, para darem o seu contributo à sociedade em que pretendiam integrar-se e que lhes dava esse direito por razão de naturalidade. Emigraram. Partiram. A maioria dos que partem, sem regresso à vista, por que os dias são outros e a língua já não é barreira. Como também o melhor clima já não chama de volta os que pretendem mostrar o seu valor ao mundo. Nesta região, nesta nação e neste continente gerimos com um calado sofrimento e uma resignada desventura a partida dos melhor formados, a impiedosa separação das famílias e dos laços de sangue em nome de uma universalidade patética que, face a uma hipótese de recuperação económica, só irá permitir que outros povos voltem a tomar os lugares vagos por profissionais que partiram. São os imigrantes que voltaremos a acolher. Novamente as chegadas. E quem sabe, depois as partidas. Sem complexos, sem xenofobismos, já que teremos de agradecer-lhes tamanha vontade de ajudar-nos. Ciclos inevitáveis, provocados num País que não soube se programar, que não soube se renovar. Nestas últimas semanas temos sido confrontados nos jornais e nas televisões com uma aberrante baixa de natalidade. Aberrante porque resulta da falta de planeamento de políticos sem visão de futuro, preocupados com o seu percurso e pouco devotados à nação e ao seu futuro. É verdade que não podem obrigar os casais a ter filhos. Mas, esta é a resposta do cínico, do que não sente o seu povo, do que não prepara o futuro do seu país. Porque, afinal, todos sabemos porque não nascem mais Portugueses. Por este andar, numa terra onde se morre mais do que se nasce, numa proporção inusitada, não há futuro nem alegria. Acompanham-se mais funerais que se celebram nascimentos. O saldo entre activos e passivos continua a esboroar-se, decididamente a baixar. Podem pensar que sou pessimista. Enganam-se. Sou o contrário. Apenas uma reflexão, na qual, na minha ingénua forma de pensar, pretende dizer a muitos que são culpados pela partida de uma geração para a qual não criaram condições de permanência. Continuo a acreditar que outros serão mais capazes e estão para chegar rapidamente. E que essa coisa de crescimento negativo é uma maneira de entreter plateias esbugalhadas com as contas de certos economistas. Não acredito no Pai Natal, nem nas potencialidades do negócio da água quente ou fervida. Estamos fartos de paninhos quentes e do discurso até à exaustão da obra feita! Sem retorno, sem futuro.

Catanho Fernandes