O Campeonato Mundial de Futebol no Brasil tem proporcionado um melhor conhecimento desde grande país. Estando aqui, em contacto com a realidade do dia-a-dia muito para além do futebol, fica mais fácil entender algumas das manifestações que têm ocorrido por aqui. Sendo este o país por excelência do futebol, é natural que a política e os políticos se aproveitem do fenómeno em benefício próprio. Só que desta vez foi diferente. No intervalo da participação de Portugal neste Mundial, voltei a São Paulo, não para ver o electrizante Inglaterra-Uruguai na Arena Corinthians, mas para reencontrar amigos da comunidade luso-brasileira. Guiado por Adriana Cambauva e Martins de Araújo (Rádio Trianon, na famosa Avenida Paulista), acabei por visitar a oportuna exposição “Política F. C. - O Futebol na Ditadura”, organizada pelos curadores Vanessa Gonçalves e Milton Bellintani, que retrata a histórica relação entre a política e o futebol no Brasil. Uma experiência enriquecedora, com uma vergonhosa manipulação política do fenómeno em proveito da ditadura brasileira. O roteiro transporta-nos do Mundial de 66 em Inglaterra, passando pelo de 70 no México e seguintes, até aos vários abanões, como o que foi liderado pelo fantástico jogador Sócrates. Até aqui, os políticos sempre manobraram o entusiasmo popular com o futebol. A semana passada, na abertura do Mundial, ouvi de forma clara os “mimos” com que o público no estádio, em uníssono, presenteou a presidente Dilma Rousseff. A discussão continua na ordem do dia, sobre todos os pontos de vista. O debate vai continuar até depois da final no Maracanã, dia 13 de Julho. Mas uma constatação já é incontornável: desta vez, talvez pela primeira vez, a política não vai abusar do futebol. PS - Quase todos os grandes jogadores da actualidade já “apareceram” neste Mundial. Ontem foi a vez de Luiz Suárez, do Uruguai. Já só falta Cristiano Ronaldo.

Agostinho Silva em São Paulo [email protected]