É óbvio que a Região necessita de consensos. É claro que, em muitas áreas da governação, é fundamental encontrar pontos comuns entre diferentes forças partidárias, e entre estas e a sociedade civil, para enfrentar cabalmente os desafios colectivos. As diferenças entre os partidos com capacidade para governar - CDS, PSD e PS – não são de menorizar, tal como as pressões (muitas delas legítimas) das diferentes forças que concorrem socialmente entre si, mas numa situação de emergência como aquela em que vive a Madeira, é fundamental que em defesa do interesse comum se deixem para trás desentendimentos, muitos deles antigos. A Saúde e a Educação são exemplos imediatos. Faz sentido que a Região continue a pagar o sistema de saúde, quando isso é competência constitucional do Governo da República? Repito a pergunta para a Educação. Passo depois para as finanças. Não seria útil maior autonomia fiscal para o arquipélago? É urgente uma revisão constitucional para clarificar e resolver muitos dos desafios da Autonomia? É óbvio que sim e que isso só se consegue através da pressão dos três partidos representados na Assembleia da República sobre os seus diretórios nacionais. É fácil entender que principal missão do CDS-M, do PSD-M e do PS-M será participar no debate que tem obrigatoriamente de ser feito sobre o futuro de uma Autonomia que, hoje, está num beco sem saída, encontrando entendimentos e caminhos comuns, que vão muito para além da política do dia a dia. Por tudo aquilo que aqui escrevi, são desaconselháveis aventureirismos e coligações “abrangentes” que, na prática, adensam problemas em vez de os resolver. Urge criar uma “agenda Madeira” comum a quem quer ser governo (ou a quem tem, realmente, essa possibilidade) e aos representantes da sociedade civil, em várias áreas fundamentais. Urge começar a pensar nas próximas gerações, em vez de exclusivamente nas próximas eleições. A classe política da Região tem a responsabilidade de corresponder primeiro aos anseios dos cidadãos e aos problemas por eles enfrentados, e só depois aos interesses dos partidos que representam que não são, nem podem ser, um fim em si mesmos.

Gonçalo Nuno Santos