Eu gosto do Mundial, gosto, palavra. Até tenho saudades das vuvuzelas sul-africanas. Bem, talvez nem tanto.
Gosto de ver jogos fora de horas (quase) todos os dias durante um mês. Gosto de me surpreender com selecções pelas quais não se dá muito à partida. O México e o Chile, este ano, lideram a lista. Gosto de exibições fantásticas de jogadores de quem nunca tinha ouvido falar, como o guarda-redes mexicano Guillermo Ochoa (que jogo!) e descobrir que nem tinha clube quando chegou ao Brasil.
Gosto das estórias paralelas das cidades onde tudo se passa. Das tradições, das paixões.
Sou do tipo que vibra em modo adepta da selecção e esqueço clubismos. E também sou muito ‘expectativas baixas’, que cria obstáculos, que antecipa derrotas e vaticina afastamentos mesmo antes da selecção entrar em campo. O que é um bocadinho irritante para quem vê a bola comigo, mas paciência, que cada um tem as suas defesas e a mim dá-me para isto. Pelo que há muito que dizia que íamos perder com a Alemanha. O normal é perdermos com a Alemanha, bolas. A surpresa foi o resultado excessivo e a postura dos jogadores. Não a derrota.
Fiquei, porém, surpreendida por uma série de explicações e críticas, que, à posterior, me pareceram bastante plausíveis para o desaire lusitano em terras de Vera Cruz. Que a selecção não tinha chegado a tempo ao Brasil, que não se preparou para o clima, que foi aos EUA ninguém sabe bem fazer o quê. Tudo muito certo, mas não há programas de análise numa base quase diária. Onde andavam estes comentadores, deslumbrados com a vitória ante a Irlanda? Se tivéssemos ganho isto seria posto em causa?
Porque raio a selecção não é devidamente escrutinada no momento certo? Como se fosse um crime lesa-pátria. Primeiro é endeusada, depois crucificada sem dó nem piedade.
Gosto muito do Mundial, mais ainda da nossa bandeira, mas incomoda-me o folclore provinciano em volta da selecção. A ida a Belém, a saída do avião de Portugal, a chegada, os imigrantes, o dia de Portugal e toda uma fanfarronice excessiva à volta da lesão do Ronaldo, que já se viu está longe de estar bem.
Em última instância é de futebol que se trata e isso para já, convenhamos, ainda não jogámos nada. Vá, vamos fingir que este ainda não contou e comecemos de novo, sim?