Miguel Fonseca Sim, Portugal perdeu! Portugal perdeu 300 mil portugueses, que emigraram; Portugal perdeu milhares de jovens licenciados, que deixaram o País; Portugal perdeu a força laboral de dois milhões de braços, que ficaram sem emprego; Portugal perdeu a riqueza dos empregos que não se criaram e dos que se perderam; Portugal perdeu a dignidade, que foi roubada aos velhos, que viram o seu direito à reforma ser violado; Portugal perdeu a solidariedade com os que sofrem, porque os cancerosos não tiveram o tratamento a que tinham direito; Portugal perdeu milhares de mães que não o foram e de crianças que não nasceram, porque as políticas impostas pela Europa não permitiram; Portugal perdeu a sua coesão social, porque os impostos aumentaram para todos os que vivem do seu trabalho e viu aumentadas as rendas às energéticas; Portugal perdeu porque os impostos indirectos ou implícitos foram exclusivamente lançados sobre os velhos e os que são os pilares do Estado de Direito Social; Portugal perdeu, porque violou os contratos de trabalho do púbico e do privado; Portugal perdeu, porque não pôs cobro à externalização de serviços jurídicos nos contratos públicos; Portugal perdeu, porque não capitalizou, juridicamente, os quadros do Estado para defender o interesse público; Portugal perdeu, porque não exigiu a revisão dos contratos escandalosos das PPP; Portugal perdeu, porque não denunciou os contratos ilegítimos dos swaps; Portugal perdeu, porque não fez parcerias com os Países da periferia e do Sul para impedir a destruição do projecto social europeu; Portugal perdeu, porque não levantou a voz na Organização Mundial de Comércio contra os países que fazem “dumping” social; Portugal perdeu, porque não exigiu contrapartidas de fundos compensatórios das distorções da moeda única. Tudo isto Portugal perdeu e levará décadas a recuperar. Ah, também perdeu com a Alemanha, mas isso recupera-se em dois jogos, se a máfia “fifeira” consentir. Mas, aí, há muito que Portugal perde, porque não levanta a voz!