Morreram dois alemães a passear numa levada. Lamento muito a sua perda, mas apetece-me perguntar, e daí? Todos os dias morrem pessoas, por todas as razões imagináveis.
Estes dois turistas morreram – imagino – porque não sabiam o suficiente para sobreviver. Ou, por outras palavras, porque a curva de aprendizagem por que passaram para completar caminhadas foi demasiado inclinada, ou porque foram demasiado ambiciosos.
Vamos tentar focalizar a questão: contesta-se a manutenção das levadas e percursos pedestres da ilha. Compreendo e apoio. Acho que seria mais importante investir nas levadas e veredas da Madeira que no espectáculo grotesco que é marina do Lugar de Baixo. Podiam e deviam ser melhor mantidas, mas se a manutenção implica cimentização, então deixem-nas tal como estão!
Diz-se, as pessoas morreram porque a levada estava mal mantida. Aqui já não estou de acordo. As pessoas morreram porque não foram capazes de reconhecer os seus limites. Atribuir a causa da morte destes dois viajantes ao estado de manutenção da levada é como responsabilizar o mar pela morte do pescador que é arrastado por uma onda. A culpa não é do mar, é do pescador, que naquelas condições, deveria ter ficado em casa, ou se deveria ter resguardado mais longe das ondas.
É fácil responsabilizar a falta de manutenção. É mais difícil reconhecer que sempre haverá pessoas a morrer, façam o que façam, normalmente pela sua própria mão.
Sim, porque morrer numa levada que se não conhece, em mau estado, com abismos, sujeita a ventos, é uma forma de suicídio. Há uma série de empresas que promovem a realização de passeios em levadas em condições de segurança, acompanhadas de guias que conhecem os percursos e as condições das levadas, e que se responsabilizam por levar os viajantes em segurança.
Quem arrisca, normalmente chega ao fim, mas também pode ter um fim mais… final. [email protected]
Roberto Loja