Existe um livro que releio todos os anos e que me faz reconsiderar sempre a minha perspectiva do presente: o “Choque de Futuro”, escrito por Alvin Toffler em 1970.
Apesar de ser uma obra com quase 50 anos, o texto continua a ser actual e visionária. Toffler dizia que se os últimos 50 mil anos da existência humana fossem divididos em períodos de vida de 62 anos, verifica-se que até agora decorreram apenas 800 desses períodos. Desses 800, passamos 650 em cavernas. Apenas durante os últimos 6, as pessoas tiveram acesso a livros impressos. Durante os últimos 2 períodos de vida foram usados veículos a motor. Os Computadores Pessoais eram ainda um sonho quando o livro foi publicado, mas reforçam o princípio do “Choque de Futuro”: a evolução tecnológica constante e acelerada torna doloroso acompanhar o mundo e os acontecimentos. Sentimo-nos perdidos e perdemos a noção do sentido da vida.
Quando penso nestas questões, lembro-me do autor irlandês George Bernard Shaw, que dizia: “Esta é a verdadeira alegria da vida: ser usada para um propósito que reconheças como algo poderoso. Ser uma força da Natureza em vez de um torrão egoísta e febril cheio de doenças e sofrimentos, que reclama porque o mundo não se dedica a fazê-lo feliz. Na minha opinião, a minha vida pertence a toda a comunidade e enquanto eu viver é meu privilégio fazer por ela tudo o que eu puder.”
Um século depois, estas palavras continuam verdadeiras; continuam a marcar o critério que permite medir se uma vida está a ser bem vivida.
Roberto Macedo Alves