Tenho repetidamente afirmado que é imperioso que as eleições diretas no PSD/M decorram duma forma imaculada. Uma eleição sem mácula, testemunhada por todos os Madeirenses e Porto-santenses é condição indispensável para a recuperação da credibilidade perdida. Não teremos qualquer hipótese de ganhar a confiança do eleitorado para governar a Madeira, se não formos capazes de governarmos bem o Partido. E a escolha da liderança é uma questão fulcral na vida de um Partido. E os Madeirenses e Porto-santenses, tenhamos bem consciência disso, estão particularmente atentos ao processo eleitoral no PSD/M.
É por isso crucial que todos os candidatos à liderança, bem como os atuais dirigentes, acordem num conjunto de regras e comportamentos que assegurem que a eleição será absolutamente limpa, regular e transparente, de forma a que o futuro líder, seja ele qual for, seja reconhecido sem sombra de suspeição pelos seus pares e adversários vencidos e em particular pelo povo madeirense.
Temos de nos pôr de acordo e encerrar definitivamente a discussão sobre as regras processuais da eleição para que possamos dedicar-nos plenamente ao debate sobre as questões substantivas, as questões de fundo, de relevante importância para o futuro da Madeira. Acontecimentos recentes e de natureza variada, ocorridos nos partidos da oposição, têm vindo a demonstrar que o PSD/M é ainda a única alternativa a si próprio.
Só o PSD/M tem o acumulado de experiência, a cultura do poder, os talentos e o conhecimento para assegurar a governabilidade da Madeira. Seria desastroso que situações do género das ocorridas ao nível da CMF viessem a verificar-se num futuro Governo Regional. Não podemos ficar iguais à oposição, iguais em particular ao PS da Madeira. Infelizmente isso tem vindo a ocorrer, o que se expressa já nos resultados eleitorais, onde nunca estivemos tão próximos do PS.
É assim fundamental que no PSD/M, todos sem exceção, se empenhem em garantir que as eleições diretas sejam exemplares. Pela minha parte, já apresentei propostas no sentido da criação duma comissão eleitoral, com a responsabilidade de regular o ato eleitoral e na qual estivessem representadas todas as candidaturas para além naturalmente do Secretariado e do Conselho de Jurisdição. Sugeri igualmente que o Secretariado solicitasse ao Conselho de Jurisdição uma aclaração sobre a candente questão do pagamento de quotas: É reconhecido o direito à isenção de quotas para os militantes em situação de comprovada carência económica? É reconhecido o princípio de que os militantes com quotas em atraso não deverão pagar mais do que o valor correspondente a dois anos de quotas? Não devem todos os candidatos estabelecer o compromisso de não financiar o pagamento de quotas aos militantes que ainda assim tenham dificuldades em pagar as quotas em atraso? Não deverá quando muito, ser uma espécie de Fundo, comparticipado por todos os candidatos a assegurar o pagamento dessas quotas?
Eu tenho plena consciência que em Portugal, nenhum partido é imune a estas questões, autenticas páginas negras da sua vida interna. Mas face à desconfiança generalizada do eleitorado nos Partidos (em cada 10 portugueses 9 desconfiam dos partidos) não terá chegado a altura de enfrentarmos de vez estas situações com o propósito de reabilitarmos e regenerarmos o sistema partidário? E porque não começar pela Madeira dando o PSD o tiro de partida, dando o exemplo? Alguém tem dúvidas de que quem liderar esta agenda obterá vantagem eleitoral sobre os outros?
Então porque esperamos, porque nos atolamos na inércia? Estamos à espera que a autonomia política, histórica aspiração dos nossos ancestrais, seja hoje vista pelas atuais gerações com indiferença e desconfiança, senão mesmo associada a uma ideia de inutilidade?
Sérgio Marques