Jaime Silva Já há algum tempo que os atletas do Madeira a Correr têm assistido a algumas piruetas da Associação de Atletismo da Madeira. Há muita contestação ao modo arbitrário e desregrado como as provas do calendário têm sido pensadas e agendadas. Desde a alteração ridícula da meia maratona do Porto Santo - para um traçado que nem é de trail nem é de atletismo! – que temos vindo a assistir a uma desorganização e certa anarquia na realização de provas do Madeira a Correr, de tal modo que um atleta quando vai para uma prova já não sabe se há de levar uma lanterna, um bordão ou uma sacola, porque as provas agora são uma incógnita, quanto ao percurso, ao traçado e ao abastecimento! Ainda neste domingo tivemos uma prova duríssima cujo percurso (completamente novo- de 14km e com longas descidas e subidas) foi disponibilizado apenas dois dias antes e com apenas um abastecimento!

Uma prova desta natureza, que só tem cabimento para prova de montanha, foi mandada à pistola para o calendário de provas de estrada! Anda por aí uma febre desmedida de misturar coisas que não podem ser misturadas e que uma organização como a AARAM tem obrigação de o saber. Não está em questão a realização das provas, mas sim o seu enquadramento e o agendamento atempado, porque os atletas não fazem só as provas, eles preparam-se para as provas, têm treinos específicos para o tipo de prova que está mais próximo e quando as provas têm um grau de dificuldade superior, a preparação tem de ser mais atempada!

Mas a associação parece que desconhece estes requisitos! A AARAM tem de repensar urgentemente a sua maneira de organizar provas, sob pena de perder a credibilidade que ainda tem! Este desnorte de criar provas sem adequá-las ao tipo em que se encaixam, só traz insatisfação e revolta. Esse desnorte é de tal modo elevado que já misturam trails com provas de montanha e madeira a correr! É caso pra dizer: parem, reflictam e ponham cada macaco no seu galho, para bem do atletismo! E valorizem mais os atletas, porque eles gostam de correr, amam a modalidade, mas não quer dizer que tenham de se sujeitar a qualquer prova, do Funchal ao Paul da Serra, via caminhos agrícolas, decidida em cima dos joelhos e com dois dias de antecedência! E toca a correr, e com sorte pode ser que apareça uma garrafinha de água!!