E não me venham com a treta de dizerem que estou a criticar colega de partido. “Finanças do futuro Governo Regional tem de ter equipa criativa... para arranjar receita para pagar as despesas”.
A posição de Cunha e Silva é assumida depois da Ministra das Finanças ter dito ao Governo Regional que teria de arranjar mais receitas para poder ter mais despesa.
E Cunha e Silva acrescenta como se não pertencesse ao governo : “É uma questão que deve ser reflectida, pensada em cada governo quando quiser tomar uma medida que tenha impacto nas finanças. Tem de pensar imediatamente na forma como irá arranjar receita para ter aquela despesa.
No futuro quem tiver de orientar as finanças tem de ter à sua volta uma equipa criativa, imaginativa e com muita competência, que não se limite como antigamente. Isto não é criticar ninguém, é assim que acontece com todos os governos. Fazer contas entre as receitas e as despesas, apresentar um orçamento equilibrado e pagava-se conforme as receitas”.
Cunha e Silva lança o recado para o seu próprio governo : “No futuro teremos de ser mais rigorosos se quisermos gastar dinheiro para tomar esta ou aquela medida favorável em relação às pessoas”, opina o Vice-Presidente do Governo Regional.
O governante sublinhou não ser um adepto desta política ‘férrea’, mas faz notar que estamos muito ‘dependentes’ e ‘dependurados’ do que acontece a nível nacional.
Esta declaração de Cunha e Silva explica na perfeição a atitude do governo regional desde que dele faz parte (2000). São inacreditáveis os conceitos aqui pronunciados. Explicam a derrapagem financeira, irresponsabilidade e o descontrole de consequências conhecidas nas sociedades de desenvolvimento que serviram para depenar fundos financeiros de difícil pagamento.
Quem pensa assim para o futuro é porque não governou com rigor, boa gestão e critério. É preciso para diante mas não para trás. Quem profere estas palavras não deveria ter desempenhado funções de governo, especialmente se incluíssem responsabilidades de gestão, gastos financeiros, obras, e estratégia económica.
É preciso maior confissão para descobrir que critérios nos levaram à delapidação das nossas finanças púbicas e nos sujeitaram a uma perda de autonomia confrangedora e inaceitável, para já não falar na situação desprezível que é a ter a nossa gestão financeira a ser feita a partir de Lisboa?
Só quem tem e assume responsabilidades por tal humilhação não protesta e repudia tal tratamento.
Se esses princípios - melhor será ‘ausência de princípios’ - tivessem sido seguidos desde o princípio da autonomia, esta há muito tinha sido enterrada.
Foi o ter sido posto em prática este discurso de Cunha e Silva após 2000 que nos trouxe à actual penosa situação económica, financeira e social. No final da década de noventa, a MADEIRA NÃO TINHA DÍVIDA E TINHA QUASE TUDO FEITO.
Nos dez anos seguintes foram gastos o equivalente a trinta ampliações do aeroporto da Madeira. Querem contas?
Segundo Cunha e Silva antes não eram precisas receitas para pagar as despesas. É coisa só para o futuro Secretário das Finanças.
Terá sido uma invenção da Ministra das Finanças ter o Governo Regional que arranjar mais receitas para fazer mais despesas? Para ser dita tamanha banalidade em que conta tem a Ministra o Governo Regional?
O conceito expresso por Cunha e Silva num programa de rádio e que reproduzo acima no segundo parágrafo deste artigo, mas que repito por ser espantosa: “É uma questão que deve ser reflectida, pensada em cada governo quando quiser tomar uma medida que tenha impacto nas finanças. Tem de pensar imediatamente na forma como irá arranjar receita para ter aquela despesa”.
SÓ AGORA? Só agora vão reflectir e pensar? Governar sem estes critérios é CRIME! E aconteceu! O melhor (pior, como é evidente) ficou para o fim: “No futuro quem tiver de orientar as finanças tem de... fazer contas entre as receitas e as despesas, apresentar um orçamento equilibrado e pagava-se conforme as receitas”.
Santo Deus! Como foi entre 2000 e 2014? Todos sabemos. Não foi a crise portuguesa, europeia ou mundial. Foi a ausência destes critérios básicos. Será que exagero? Invento? Cunha e Silva fez assim nas sociedades de desenvolvimento ?
“No futuro teremos de ser mais rigorosos se quisermos gastar dinheiro”. Grande penálti! Só que na própria baliza. Mais uma declaração a merecer reparo no final da próxima Comissão Política do PSD. Ou o critério para este é diferente?
Será que eu não deveria escrever este artigo de opinião? Optei por o fazer. São princípios, valores e critérios que devem condicionar as opções do nosso futuro. E não me venham com a treta de dizerem que estou a criticar colega de partido. É Cunha e Silva quem critica o seu actual colega das finanças - que fica em situação insustentável - e o próprio Alberto João Jardim que presidiu aos governos que não seguiram os fantásticos, originais e mágicos conselhos financeiros que Cunha e Silva propõe para o futuro. Bom era se o homem apresentasse solução de como pagar o dinheiro público que derreteu !
PS: Segundo me garantem, e oxalá que não tenha que dizer nomes, andam a induzir as escolas a convidarem o Vice-Presidente do Governo, Cunha e Silva, a fazer palestras sobre autonomia. No horário de trabalho!Haja decoro!
Miguel de Sousa