S.S. Venho por este meio demonstrar a minha indignação, enquanto professora classificadora das provas finais nacionais de matemática do 2º ciclo do ensino básico, face às poucas facilidades de que se pode usufruir em serviço oficial.
Trabalho numa escola, onde mensalmente tenho de pagar o parque de estacionamento para poder trabalhar. Até aqui, não há nada injusto. Mas sempre que há uma acção de formação ou utilização do auditório por parte de diversas entidades, o parque é aberto a todos os participantes, ficando nós, os pagantes, muitas vezes com dificuldade em conseguir um lugar para estacionar.
Quando somos classificadores/supervisores termos, contudo de nos reunir no centro nacional de exames, sediado na escola secundária Liceu Jaime Moniz.
Devido ao carácter obrigatório das mesmas, inclusive, da enorme responsabilidade que é a de ter em posse exames nacionais, as duas reuniões que tive a 26 de maio e a 8 de junho, deixaram-me sem hesitar, a mim e a outros colegas, estacionar no parque da referida escola.
Aquando a entrega dos mesmos, e por ordem do conselho directivo, não nos facilitaram estacionamento no parque.
Mostro a minha indignação perante este facto, pois além da suposta segurança policial e de todo o aparato, quando se deslocam para levar as provas para as escolas, fazem-nos andar à procura de um lugar e andar pelas ruas do funchal com exames na mão a pagar parque ou a colocar moedas em parquímetros, quando estamos a prestar um serviço oficial.
Se além de já termos de levar com todos os cortes governamentais e de já termos sofrido um descrédito bem publicitado por parte do povo em geral, ao contrário de muitos empregos, não nos pagam horas extraordinárias, trabalhamos mais em casa do que muitos outros, lidamos com 30 pessoas diferentes dentro de cada sala de aula, muitas vezes somos, além de professores, pais, amigos, psicólogos e educadores.
Não é por acaso que a classe em termos percentuais é a que ocupa mais os consultórios de psicólogos e psiquiatras, tem mais problemas de coluna, voz e falta de vista.
Não, não temos ajudas de custo para nada, nem temos motoristas que nos transportem!! Pagamos o nosso material escolar, que nem é dedutível no IRS, como a esferográfica vermelha que tive de comprar para poder classificar as provas, a título de minúsculo exemplo. Queremos que os nossos alunos sejam motivados e adquirimos, com o nosso ordenado, extremamente reduzido, acetatos e canetas próprias, fotocópias e alguns professores chegam mesmo a comprar projectores para poderem cativar os seus alunos com um powerpoint ou um filme alusivo à disciplina.
Preocupamo-nos tanto com a motivação dos alunos, pois estamos nesta profissão por vocação, mas…. Onde está a nossa motivação?!?!
Sou professora há 12 anos e nunca passei do primeiro escalão que, com as sucessivas reduções, nem sei se vou continuar a cumprir com as minhas obrigações.
A minha motivação está a desmoronar-se, de mês para mês, e sinto que não sou a única. Quando nem num serviço oficial, se dá o privilégio só a alguns, e nem nos deixam estacionar o carro, cuja gasolina foi por mim suportada, com a necessária segurança, tendo em conta que vamos “apenas” entregar exames, que nos foram impostos classificar. Inadmissível!!!
Não sei o que será o futuro dos nossos jovens se a educação não levar uma reforma urgente e um ajustamento nos ordenados que começam já a roçar o ridículo.