O marketing é, como é sabido, uma ferramenta importante nas sociedades modernas, como forma de dar a conhecer e aumentar o valor de um produto, logo um auxiliar fundamental nas vendas, quer de um bem material, quer de um serviço, como é o turismo, tão caro a esta Região.

Mas, curiosamente também o é na política, enquanto comunicação de valor acrescentado por forma a tornar a mensagem subjacente, melhor assimilável, logo mais eficaz.

Vem isto a propósito de quê, dirão os leitores? Não é de somenos importância o que se passa na vida dos partidos enquanto agentes activos na evolução das sociedades democráticas, à luz da história recente. E, neste aspecto, o que se passa no PS não pode deixar de ser relevante nesse contexto.

Não está em causa a legitimidade de Seguro com secretário-geral do PS, porque é indiscutível, mas estará em causa provavelmente a sua capacidade de ser alternativa ao actual Governo de Portugal, a garantia de ser candidato a 1º Ministro e ganhar, independentemente da qualidade das suas propostas.

Os resultados das eleições europeias, dando-lhe uma vitória escassa, num quadro de ampla abstenção como de «votos de protesto» (brancos e nulos) não deixam margem para dúvidas, o eleitorado não quer este Governo, mas também não se sente confortável em confiar a Seguro os destinos do país.

Então, qual a atitude responsável a tomar por um qualquer militante ou simpatizante do PS neste contexto? Apostar em Seguro, por coerência, conveniência de alinhamento ou fidelidade orgânica e deixar a direita ganhar, ou apostar no candidato que, bem ou mal, aparece melhor posicionado para triunfar junto das faixas hesitantes do eleitorado, essenciais para o desfecho favorável da contenda?

A resposta parece óbvia, e a comunicação social, que não é despicienda no caso, para isso contribui, ou porque também não acredita em Seguro ou porque acha que não é um produto facilmente «vendável», passe a expressão, logo não é notícia que compense, a não ser pelos piores motivos.

Aqui, a força do marketing faz-se sentir em toda a plenitude e Costa é, nesse aspecto, uma «marca» de maior valor, logo, mais eficaz no sucesso a alcançar que deve ser o de ganhar o Governo da Nação e desenvolver novas políticas, mesmo que os parâmetros da decisão não variem substancialmente.

Porque, o que está em causa não é tanto o que tem de ser feito mas como deve ser feito e, nessa perspectiva, Costa parece apresentar um perfil mais ajustado para o diálogo e maior capacidade para negociar e fazer-se impor, seja a nível interno, seja a nível europeu.

E, Portugal, bem precisa de alterar a sua agenda de ajustamento orçamental (que não está em causa) para a agenda do crescimento, da confiança, do investimento, para diminuir o desemprego, melhorar as contas públicas e pagar o que deve sem constrangimentos desnecessários ou inoportunos.

Por isso, não necessariamente com o coração, mas com a razão, não vejo que se possa deixar de apostar em Costa, só lamentando que a solução escolhida pelos dirigentes do PS não seja a mais célere para potenciar o capital de esperança que se gerou á sua volta.

Mesmo que seja só marketing (e podemos pensar que não), isso só prova a força e vantagem do marketing, também na política.

Nuno Jardim Fernandes