É comum encontrar por aí quem seja “forte com os fracos e fraco com os fortes”. Quando alguém está combalido e prostrado não faltam corajosos para o pontapear. É sempre assim. Até nas revoluções é o que sobressai, enquanto o regime está forte poucos são os que abrem a boca e saem à rua, depois de entrar em ruína eis que não fica um metro quadrado livre de descontentamento e revolta. É a oportunística natureza humana (muitas outras espécies também são assim mas da nossa que se diz humana esperar-se-ia outra elevação).
Mais grave é quando as instituições do Sistema Democrático adotam atitudes semelhantes. Ainda recentemente soubemos que o Ministério Público resolveu pedir, e muito bem, a perda de mandato do vereador do PSD em Santa Cruz, Jorge Baptista, por ter agido contra a Lei no fim do anterior mandato, privilegiando uma empresa privada em detrimento do interesse municipal. Muito bem! Palmas! Alvíceras! Mas mais uma vez só se mete com o peixinho miúdo, que, fique claro, também merece atenção, e nunca encontra coragem para enfrentar a fauna graúda.
É praticamente certo, como em tantas outras situações, que caso Jorge Baptista tivesse ganho as eleições e fosse, atualmente, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, e não apenas vereador de um PSD extremamente minoritário na oposição, o MP estaria quietinho e confortável no seu canto. Aliás, Miguel Albuquerque, que no Funchal tanto pontapeou o Plano Diretor Municipal, chegando ao ponto de permitir construção em cerca de 14% da Zona Verde Urbana de Proteção da cidade (espaço non aedificandi), nunca mereceu da parte do MP um pedido de perda de mandato (apesar das várias queixas que foram feitas). Pois é, forte com os fracos e fraco com os fortes.
Já agora, para quando algum resultado palpável relativamente à operação “Cuba Livre”, sobre a dívida escondida pelo governo regional do PSD-Madeira, que desespera há quase 3 anos?
Hélder Spínola