“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, do sapato e do remédio, depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e enche o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pelintra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.” “O Analfabeto Político” – Bertolt Brecht - No ano em que Portugal comemora os 40 anos da sua Revolução, em que se falava numa democracia consolidada e madura, depois de beneficiar de muitos milhões de euros vindos da União Europeia, a maioria dos portugueses optou por ignorar as eleições europeias, abdicando assim do seu direito de voto e delegando na minoria que votou a responsabilidade de escolha dos seus representantes no Parlamento Europeu. Foram quase 7 em cada 10 pessoas que não votaram. A população portuguesa está cada vez mais distante dos políticos e dos partidos, não se revê neles, sente-se ofendida pela ostentação, regalias e regime de excepção que vigoram no nosso país em benefício daqueles que decidem e massacram a população com impostos, cortes nos rendimentos e aumentos em tudo aquilo que é essencial. Não podemos ter uns a empurrar para os outros, aqueles que não podem fugir, tudo aquilo que não querem para si. Os portugueses dão mostras de já não aceitar que quem decide não dê também o exemplo.

Enquanto isso, devido à luta pelo poder nos principais partidos, dá-se uma intensa corrida à inscrição de novos militantes, a nível nacional e regional, como se isso garantisse votos nas eleições que realmente interessam. Os partidos parecem ganhar nova vida com as lutas internas e iludem-se com a ideia de que estas movimentações são um sinal saudável de vitalidade, mas estas disputas significam pouco para uma população em dificuldades. Na Madeira, as eleições internas no maior partido poderão ser decisivas para se escolher o próximo Presidente do Governo Regional ou apenas o líder da oposição, existindo o sério risco de implosão desse partido se o candidato interno vencedor não for um candidato com quem os madeirenses se identifiquem e não for capaz de ganhar eleições. Não ter consciência disso poderá significar o fim de uma história de poder com quase 40 anos. Os nossos partidos terão que começar a olhar para a sua população e dar resposta aos seus problemas, deixando de olhar para dentro e para os seus interesses. Chegamos a um ponto em que não é possível mudar tudo para continuar tudo na mesma, a mudança terá mesmo que ser efectiva. - O novo Hospital, a construir em Santa Rita e com entrega prevista em 2014, tinha um custo total previsto de 125 milhões de euros. Só a renovação das urgências custa 21 milhões de euros (pouco mais de 1/6 do valor do valor anterior). Já antes foram apresentados, de forma avulsa, outros projectos de obras para o mesmo hospital, sempre na ordem de milhões de euros, no entanto continua-se sem saber quanto é que já foi gasto na remodelação e construção de anexos e quanto mais irá custar a construção das 6 torres de 10 andares cada a construir junto ao Ribeiro Seco.

Até agora não foi possível somar os valores de todas as obras já efectuadas (desde a decisão de não avançar com a construção do novo hospital), mais as que decorrem actualmente, mais as que estão previstas para um futuro próximo, para chegar a um valor total de investimento no velho/”novo” hospital e poder comparar com o projecto de Santa Rita. Oficialmente, foi dito que esta é “a melhor solução e a mais barata”, mas continua-se à espera dos valores que fundamentem a validade das opções tomadas.

Duarte Nuno Dória