Miguel Fonseca A pergunta coloca-se perante aquilo que pretende o Governo da República para o Centro Regional da RTP, numa novela que nunca mais acaba.

Entretanto movem-se os vários interesses que gravitam em volta de um poder escrutinável numa sociedade onde a instantaneidade mediática se sobrepõe ao debate e sereno das grandes questões que interessam ao País.

À questão de saber se a RTP é irrelevante deve ela mesma responder se cumpre ou não a sua função de informar numa região autónoma, nos campos da cultura, da língua na sua variante regional, com a sua riqueza lexical e diferenciação sintática, na política, na economia, no sindicalismo, na participação cívica, no associativismo. A programação da RTP é vista pelos milhares de madeirenses residentes no estrangeiro.

Se a RTP-Madeira se limitar a ser uma televisão do Regime, e quando falo do regime não estou a falar de nenhum partido, mas dos interesses instalados que nada deixam mudar na sociedade e no interior de cada instituição, nos jogos de poder no interior dos partidos, se se limitar a dar voz aos mesmos de sempre, àqueles que exercem poderes fáticos e têm poder de veto para impedir que os cidadãos em geral tenham conhecimento de iniciativas de participação cívica e de propostas de cidadania, então a RTP-Madeira segue o caminho inexorável da irrelevância.

Como presidente do Movimento Madeira-Autonomia, e como todo o poder deve ser escrutinado, incluindo o poder avassalador a comunicação social numa sociedade mediática, sobretudo quando, como é o caso, se trata de um meio de comunicação social pago com o dinheiro dos nossos impostos, devo dizer que há ausências da RTP-Madeira que não se explicam, sobretudo quando, pelas suas potencialidades estratégicas, deveriam merecer uma outra atenção por parte da televisão pública regional. Digo isto no preciso momento em que o Movimento Madeira-Autonomia - depois de um percurso de sensibilização da UCCLA, que acolheu a ideia com todo o interesse, e das câmaras municipais do Funchal e de Ponta Delgada – se prepara para ser recebido pela vereação da Câmara Municipal do Funchal para tratar exatamente da adesão possível do Funchal à União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa. Poderia, fria e calculadamente, ficar calado. Não entendo assim. A RTP-Madeira não faz favores a ninguém quando está onde deve estar e falta ao serviço público quando não vai onde devia ir. Por isso, não há favores nem da RTP nem de qualquer dos seus diretores ou órgãos dirigentes, que não cedem nem devem ceder a pressões. Ou há cumprimento do serviço público ou não há. Ou a RTP-Madeira se volve cada vez mais promotor do interesse público, ou então, sim, volve irrelevante. E então há sítios bem melhores onde empregar os nossos impostos!