Foi por pouco que no passado dia 25 de Maio não fiquei incluído no grupo dos portugueses que não exerceram o seu direito de voto - e foi uma fartura deles que não se sentiram motivados para tal. Uns porque não se encontravam na localidade onde exercem esse dever, mas penso que a grande maioria terá sido por estar desiludida com a política e com os políticos.

Mas mesmo sem ter estado devidamente atento às propostas dos diferentes partidos e candidatos - se é que vale a pena ligar a isso, pois, como se sabe uma coisa é o que dizem na campanha outra é o que fazem quando são eleitos - a meio da manhã desse domingo, quando me lembrei que era dia de eleições lá me dirige a escola. Quando estava a observar o boletim de voto colado na porta de vidro à entrada, eis que chega a senhora Maria, que vive ali próximo, e depois dos cumprimentos, afirmamos quase em simultâneo: “Vou votar, mas nem sei em quem!”

E acrescentei: - Pois é senhora Maria, isto são tantos, são 16! Ao que a senhora Maria rapidamente afirma muito admirada: - Benza-te Deus ca fartura! Então não só 2 dois como na última vez? Os unidos e os outros? Esclareci que as anteriores eleições foram para a Câmara e estas são para a Europa para eleger 760 deputados, sendo 22 de Portugal. A senhora Maria não quis saber de mais explicações e interrompe: - Isto está tudo torto. 700?é mais gente que nas tosquias. Tudo dentro de uma sala e só um é que fala. Mas para quê tanta gente? Por isso dizem que há crise. Tudo quer é mandar, ninguém quer ficar aqui (na ilha ou país?). Tenho um porco no chiqueiro que, se ele se solta, já não há ninguém que me ajude apanhar. - Bem, senhora Maria, já que estamos aqui vamos cumprir com o nosso dever. - Sim senhor, seja o que Deus quiser, vami-la, que ainda tenho de ir tratar da bicharada antes de fazer almoço - rematou a sempre bem-disposta minha conterrânea.

Joel Freitas