O Presidente da República desmaiou. No Dia de Portugal. Em directo. Uma infelicidade, como o são todas as questões de saúde. Mas mais ainda porque esse acabou por ser o grande facto do Dia de Portugal (tirando a vitória fora de horas da Selecção Nacional no amigável contra a Irlanda).
As piadas que se seguiram ao chilique de Cavaco Silva são mais ou menos compreensíveis e aceitáveis (dentro daquela linha que separa), tendo em conta até a falta de gravidade da situação que se veio a verificar. No entanto, os comentários de regozijo de tantos outros são abjectos e não nos valorizam como um povo num dia que devia comemorar o melhor de nós (calma, que não estou a falar da raça).
Se é verdade que há razões mais do que suficientes (na minha opinião) para se criticar a postura e o que têm sido os mandatos do Presidente, não é menos verdade que isso não pode, nem deve acabar com um aplauso generalizado à fragilidade física de um homem carregado em ombros pelas forças aramadas do país num momento em que discursva ao seu povo. (E foi má essa intervenção).
“O que é o Dia de Portugal?”, esforçava-me por responder a uma criança de cinco anos, enquanto as imagens da reacção vagal do Presidente iam passando na televisão. “Porque é que Portugal é pequeno mas muito importante?”, continuava ele. E eu lá ia elencando feitos e terminei com um “Porque nós nascemos em Portugal”. E ele sorriu, orgulhoso. Eu baixei os olhos, porque um país que se ri da desgraça alheia, mesmo de um Presidente com quem não concorda, é mais motivo de vergonha que de outra coisa qualquer.
Esperemos que a reacção tenha sido tão vagal como o fanico de Cavaco Silva. Voltemos aos fanicos de Portugal.