É sempre importante deixar a poeira assentar para, a seu tempo, fazer uma análise aos resultados eleitorais. Hoje, com a devida clareza, longe das emoções da noite eleitoral, já é possível fazer uma análise aprofundada dos resultados das últimas Europeias. O primeiro destaque vai para a abstenção que atingiu o valor recorde na Madeira de 66%, crescendo cerca de 6% face às anteriores eleições. Merece uma reflexão este distanciamento à Europa, problema que requer uma abordagem e reflexão por parte de todos os agentes políticos. As questões Europeias têm de ter uma maior atenção no dia-a-dia dos Madeirenses, e em especial num momento de asfixia financeira, porque só podemos contar com os fundos comunitários para fazer investimento nos próximos anos.

O PSD mais o CDS-PP obtiveram 31% o que correspondeu a 27.079 votos, uma perda de 36.000 votantes (para a abstenção e outros partidos), ou seja, o PSD/CDS-PP caem de 60.87% para 31%, em relação às eleições anteriores. O PSD mais o CDS-PP na Madeira não chegaram sequer a obter um terço do eleitorado. Certamente que não foi por acaso que o líder do PSD não quis fazer a análise dos resultados na noite eleitoral…

O PS obteve 22.57% o que correspondeu a 19.713 votos. Se em 2009 o PSD e o CDS juntos tinham a mais que o PS 48.264 votos, nestas eleições a distância encurtou para 7366 votos. Se analisarmos a situação com seriedade, podemos dizer que o CDS teve no mínimo 6% a8%, ou seja, se retiramos esta percentagem da votação na Coligação, então podemos concluir que o PS e o PSD ficaram praticamente empatados. É necessário ter em linha de conta que o PS desde 2007 e em 6 atos eleitorais consecutivos teve resultados abaixo, muito abaixo, dos 20% dos votos. Só invertemos esta tendência nas últimas eleições autárquicas e europeias, consagrando novamente o PS como a segunda força política na Região. Hoje, o PS é a alternativa ao PSD na Madeira, sem qualquer margem para dúvidas. Vimo-lo nas eleições autárquicas, voltamos a vê-lo agora nas eleições europeias.

Mas há outras curiosidades a reter, como o facto dos partidos que fazem parte da coligação à Câmara Municipal do Funchal (PS, BE, PND, MPT, PTP e PAN) terem obtido na Região 48,46% dos votos nas europeias, o que daria uma maioria absolutíssima numas eleições Regionais, um valor superior aos 39.22% com que ganhamos a Câmara do Funchal em Setembro de 2013. Uma subida de quase 10% que é preciso relevar e sublinhar, e que abre totais possibilidades de vitória nas regionais de 2015.

Se nas últimas eleições autárquicas cerca de 65% do eleitorado não votou no PSD, nas últimas europeias podemos chegar à conclusão que mais de 70% do eleitorado recusa votar no PSD.

Há hoje um caminho aberto para a mudança na Madeira, para romper com quase 40 anos de um único partido na governação da Região. A Mudança passa por novas políticas, por novos protagonistas, por cortar com os vícios e a podridão das ligações sujas entre os poderes económico e político, e por um novo projeto de crescimento económico para a Madeira. Afinal, a mudança é possível!

Victor Freitas