A importância de um plano estratégico pode comparar-se ao plano de uma viagem para atingir um determinado destino. Assim, um plano estratégico tem de conter as metas ou objetivos que se pretendem atingir, com a aplicação do referido plano. Como na viagem que realizemos, para chegarmos ao destino, ou conhecemos o caminho, ou seguimos um mapa ou dispomos de um instrumento de navegação baseado no sistema GPS (Global PositioningSystem). No caso do plano estratégico temos de definir indicadores que nos vão informando se estamos no bom caminho face às metas/objetivos que nos propomos alcançar.
Refiro-me, pois, à importância da existência de um plano estratégico a nível nacional, regional, local e das instituições, que deverá ser o mais consensual possível e que deveria ser o documento norteador de toda a nossa atividade enquanto cidadãos nacionais, regionais e locais e, também, enquanto profissionais. Tal documento tem de ser muito participado, muito discutido e não dependente de ciclos eleitorais. Obviamente, e em função das condicionantes externas que também são cruciais, ajustamentos podem e devem ser realizados, sem perdermos a noção de onde estamos e para onde queremos ir. Por exemplo, numa multinacional de sucesso existe um conjunto de objetivos que são incorporados na cultura da empresa e que permitem uma maior focagem naquilo que se pretende atingir.
Centrando-nos mais num plano estratégico dirigido a uma instituição, a participação de todos é crucial para que todos possam sentir que estamos perante o “nosso plano estratégico”. Não só é importante a congregação de todos, para que se consiga um melhor resultado, mas este procedimento permite a criação, fortalecimento e assunção de uma identidade corporativa com benefícios internos e externos.
Tal como acontece num meio de transporte, para chegarmos a um determinado destino temos de perceber onde estamos e donde partimos para que possamos saber qual a forma e o caminho de chegar ao destino. Ou seja, para a realização de um plano estratégico, temos também de elaborar um diagnóstico da realidade que temos.
Para tal, uma das possibilidades é realizar uma análise SWOT (strengths, weaknesses, opportunities, andthreats), sobre a qual podemos construir um plano estratégico, que nos permita dotar a instituição de uma visão para o futuro e o modo como conseguir alcançar esse objetivo.
Recebemos recentemente,na Universidade da Madeira, um ex-Vice-Reitor da Universidade da Corunha que proferiu uma palestra muito interessante sobre o plano estratégico realizado na sua Instituição, alguns anos atrás. Entre outros aspetos, referiu que este documento veio a provocar uma alteração de poder, tendo em conta que o dinheiro disponível para investir, não era decidido por quem tinha mais influência, mas sim em função do plano estratégico. Assim, existia uma ligação estreita entre o plano estratégico e o plano financeiro, o que, de algum modo, permitia conduzir e verificar a execução financeira e sobretudo reduzir conflitos.
Na atual conjuntura que as universidades públicas portuguesas atravessam, e dados os poucos recursos disponíveis, a preocupação fundamental é de chegar ao final de cada exercício com as contas estabilizadas. Em todo o caso, o plano estratégico deve continuar a ter um papel relevante. Assim, e num ambiente económico-financeiro adverso, ficamos com a sensação de apenas poder realizar pequenos passos, para num prazo temporal mais alargado conseguir atingir os nossos objetivos.
É de facto a realidade que enfrentamos e cabe a toda a comunidade académica a difícil e árdua tarefa de tentar minorar esta situação. Com engenho e persistência, acredito que vamos conseguir atingir as nossas metas.
José Manuel Baptista