A cidade e toda a comunidade católica de Machico, orgulha-se de estar hoje unida à diocese do Funchal, no programa de comemorações dos 500 anos, com a celebração da Eucaristia, na Igreja Matriz - evocativa da primeira missa - aqui realizada no dia 2 de julho de 1419, por dois padres franciscanos. Este histórico acontecimento, tem um significado muito especial para a população machiquense. No local onde decorreu este ato litúrgico, com toda a tripulação, foi edificada a capela, denominada da Misericórdia, mais tarde depois da aluvião de 1803, foi reconstruída e passou a chamar-se Senhor dos Milagres. A partir da chegada dos nossos descobridores João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz e povoadores, na primeira viagem de reconhecimento e ocupação da Madeira iniciou-se, para as duas capitanias de Machico e do Funchal, um projeto de apoio e de estruturas físicas e humanas para uma operante atividade sacerdotal e religiosa. A capitania de Machico delimitada por uma vasta área territorial, estendia-se desde a costa norte ao leste da ilha, foi atribuído com plenos poderes religiosos e funções administrativas em 1450, a Frei João Garcia. As crónicas da época relatam as razões fundamentadas para a imperiosa necessidade da criação no Funchal de uma Diocese, com estrutura religiosa de apoio aos crentes das ilhas e uma abertura a novas vocações de missionários para futuras tarefas em espaços de ocupação atlântica. Com o decorrer dos tempos, o povoamento, a ocupação e valorização socioeconómica, a elevada pressão do movimento demográfico e a construção de novas capelas, implicaram maiores exigências e desafios. O documento aguardado e que instituiu como Igreja Catedral, através da autoridade Apostólica, foi concedido pelo Papa Leão X, a 12 de Junho de 1524 e nomeou como Bispo e Pastor, D. Diogo Pinheiro, para exercer essa alta e nobre missão. Ao longo destes 5 séculos, a Igreja tem desenvolvido, um valioso trabalho, nos mais variados campos de , desde as paróquias, à educação nas instituições religiosas, o que tem merecido da maioria da população da Madeira e Porto Santo, o reconhecimento e gratidão.
Belarmino Rodrigues Professor