Tributo à Humanidade

Recentemente, tive o prazer de participar à homenagem a Nelson Mandela, realizada pela Madeira Multilingual School, em parceria com a Escola da APEL, no quadro do ciclo de conferências daquelas duas instituições. O busto do Paladino da Liberdade, a acrescentar mais um ilustre, de dimensão global e universal, na Avenida do Pensamento, não só deu ao campus escolar mais multiculturalidade, como acrescentou à cidade do Funchal mais-valia humana e cultural. Digo prazer, porque tudo resultou de um desafio por mim lançado nas páginas deste jornal e nada melhor do que a realização dos sonhos. Neste sentido, impõe mais um desafio, aliás já lançado no dia da referida homenagem, que a capital da Região Autónoma da Madeira seja uma galeria urbana a céu aberto de esculturas dos grandes homens e mulheres da Humanidade. Era um diferencial cultural e humanístico, com alguma vertente turística. Loucura? Impraticável? Bem, os dados estão novamente lançados…

Escritura pela Catedral Leio, com gosto, as novas pinceladas da escrita cabo-verdiana e penso que as mesmas querem extravasar a moldura clássica. Sair da liturgia, seus ordenamentos e paramentos, já dizia Mário Fonseca, é apelar para a escansão que vai sempre além da carpintaria do texto. Desoficinar a poesia, a prosa, todo o resto. A literatura cabo-verdiana tornou-se hoje uma polifonia, em crescendo, tendo em conta a liberdade de cada criador, que lhe aparta a tessitura artística das derivações mais pregressas e das tentações para meninos de coro. O resto, que também faz parte, é argamassa para a fachada desta Catedral...

Ancoragens No meio da conversa (amiga e amena), digo que as ancoragens são necessárias, senão mesmo cruciais, mas tal decisão, por conferir soberania, terá de ser determinada sempre pelos cabo-verdianos. Não nos devemos impressionar pelas frases de efeito, nem perder o azimute em plena viagem. Tão pouco aceitar o papel de serventuário do norte, do sul, do leste e do oeste, da esquerda e da direita. Antes de mais, dar respostas às demandas dos cidadãos e, acima de tudo, fazer jus ao interesse nacional. Sem algum muro diante de nós...

Custos da Democracia E a conversa (insisto que amiga e amena) continuava a ponto de abordarmos os custos da Democracia. Custos? - perguntava eu, contrapondo aquilo como investimentos, já que o inerente aumento das despesas será compensado com ganhos reputacionais (económicos, inclusive) do País. A Democracia Constitucional, a Boa Governação e a montagem, bem como a funcionalidade, das instituições democráticas, vistas de uma perspetiva dinâmica, mais habilitada e mais complexa, são fatores cruciais do Desenvolvimento. Por conseguinte, impõe-se ampliar (amplificar, se necessário) o nosso sistema democrático, facilitando a abertura (em quantidade e em qualidade) aos partidos políticos (não sendo disparatada de forma alguma a ideia do alargamento do leque e da oferta) e à sociedade civil (sendo procedente o impulso da Pólis pelo capital político). Mais liberdades, direitos e garantias. Mais Estado de Direito Democrático. Seja este (com os seus custos e ganhos) o nosso diferencial.

Educar como método Ser bilingue melhora o desempenho cognitivo dos estudantes e permite que os mesmos sejam, no futuro, mais adaptados e mais competitivos no mercado de trabalho global. Esta premissa é válida não só para os jovens. Estudos relacionam o domínio de dois ou mais idiomas com bom desempenho cognitivo e menor risco de demência em idosos. Diante de tal premissa, está patente que a inovação pedagógica que os nossos países precisam requer, não apenas novos paradigmas tecnológicos da educação, mas também (diria mesmo sobretudo) o multilinguismo/multiculturalismo como método.

Filinto Elísio