Não estiveram os nossos políticos executivos desde sempre preocupados com as pessoas? Nem falo dos animais ou da natureza, que são temas que vêm sempre depois das pessoas. Não se sente a maioria das pessoas bem servida pelas políticas seguidas? O facto de um número crescente de pessoas não se sentirem bem é uma fonte de grande preocupação para os nossos governantes, não sei é se será por razões genuinamente compassivas. Divididos entre os interesses do modelo económico e financeiro por um lado, e as pessoas por outro, optaram por tentar endrominar as pessoas com a suposta inevitabilidade de termos todos de servir a dívida por eles criada, supostamente para nosso benefício. Se não o conseguiram convencer a si, a mim também não, pois não vejo nenhum benefício em contribuir para prolongar este sistema económico moribundo! No actual modelo económico que exige o crescimento para funcionar bem, o endividamento é quase inevitável. Assim esquerda e direita, ao defenderem o crescimento económico, defendem o endividamento, podem é diferir na opinião se este se deve transferir em maior ou menor medida para as pessoas. O termo usado é investimento, o qual é feito com a expectativa de no futuro ter um retorno financeiro maior, daí crescimento. Hoje em dia esta é uma aposta cada vez mais arriscada, não há garantias, e estas suspeições são setas apontadas ao coração do actual modelo económico.
É necessário uma política da consciência para desconstruir o mito de que o bem-estar e a felicidade são fielmente representados por um PIB crescente, i.e. a uma produção e consumo crescentes. É necessária uma consciência que alimente um FIB, a Felicidade Interna Bruta, que valoriza o desenvolvimento económico sustentável e equitativo, a preservação da cultura, a conservação do meio ambiente, a boa governação, a boa saúde, a educação de qualidade, a vitalidade comunitária, a gestão equilibrada do tempo e o bem-estar psicológico. Talvez me veja forçado a sacrifícios na mesma, mas entre o sofrimento sem sentido para a manutenção de um PIB, e o sofrimento inteligível de um FIB, venha o último.
Com o tempo, a emergência desta nova política da consciência, de que o PAN é o primeiro proponente, será vista cada vez mais como o Inimigo Público nº 1 da velha e padronizada política economicista.
Rui Almeida