Cafôfo não terá 3.ª oportunidade para causar uma 2.ª boa impressão 1. A recente bagunça política registada com o novo executivo da Câmara do Funchal veio levantar fundadas desconfianças sobre quem protagonizou a tão desejada mudança no espetro político regional. Paulo Cafôfo teve o engenho de derrubar o ciclo poder cristalizado que o PSD/M protagoniza na Região há quase duas décadas. Visto de fora e sem mergulhar nos embustes que os aparelhos partidários urdem nestas ocasiões, querendo impor à força a vontade dos seus dirigentes e apaniguados, o mérito da conquista da principal autarquia da Região foi de Cafôfo, em primeiro e em último lugar. É óbvio que no seio de uma tamanha coligação de partidos, tão díspares entre si, se originaria, dia menos dia, problemas e desentendimentos. Mas o homem que venceu as eleições sabia disso, tendo sido ele o líder e o cabeça do projeto. Os funchalenses não votaram no PS e muito menos no PND. Votaram num estilo que veiculou o espírito da mudança e que deu aos madeirenses em geral a esperança de uma renovação tão esperada. Quiseram que, depois de eleito, fosse capaz de romper com as clientelas, com a política do favor e de garantir independência face ao governo regional. O povo não votou em portadores de “egos insuflados”, em intriguistas e muito menos em personagens dispostos a lavar “roupa suja” na praça pública, imagem tão familiar no interior dos partidos em ebulição. Dispensável. Passada a confusão, fica o registo: Paulo Cafôfo não terá uma terceira oportunidade para causar uma segunda boa impressão. Quem o colocou na cadeira presidencial corre-o em três tempos pela porta dos fundos, remetendo-o à banalidade política. Se quer reconquistar os seus concidadãos e renovar a esperança que consubstanciou, terá de interiorizar que as contas do seu mandato devem ser prestadas aos munícipes e não ao líder de qualquer máquina partidária. Cafôfo tem uma tarefa árdua pela frente: devolver a esperança a quem lhe entregou as chaves da cidade, porque, sinceramente, ainda não é visível uma marca digna de registo da sua atuação à frente dos destinos da Câmara do Funchal. Resta-lhe esperar que se materialize o adágio popular bem conhecido: “mau começo, bom acabamento”. O PSD/M, a braços com uma crise aguda de liderança e com um desfilar sem fim de candidatos ao “trono”, agradece a desorientação que possa perdurar na casa da oposição. 2. Os resultados das eleições europeias e a altíssima abstenção verificada constituem sinais de alerta para todos os portugueses em geral e para os políticos em particular. No continente, a coligação PSD/CDS registou uma derrota histórica nas urnas. Os eleitores que se dignaram a votar retirou-lhe a base de apoio, num protesto contra uma política de austeridade desmesurada, imposta a tudo o que se mexe. Por outro lado, se o PS nacional não descolou, provocando de imediato uma crise na liderança de António José Seguro, na Madeira o que se passou? A coligação do governo central venceu as eleições! Sem as cifras alcançadas no passado, é certo, mas venceu. E isso prova o quê? Que a maioria dos madeirenses não vê este PS/M como alternativa. A sua mensagem não passa. Se no epicentro do descontentamento generalizado não conseguiu arrebatar uma vitória eleitoral, quando a vai alcançar? O Partido Socialista tem de saber ler estes resultados e ter a coragem para mudar de protagonistas, imprimido, a curto prazo, uma nova liderança, consistente, credível e portadora de um projeto claro e mobilizador. Não deve desvalorizar os resultados obtidos, nem apresentar cenários fantasiosos, concretizados numa hipotética coligação de todos os partidos da oposição para derrubar o PSD. Chegou a hora do PS/M olhar menos para o seu umbigo e mais para o interesse geral. A realização de um congresso extraordinário será a prova de que ninguém está agarrado ao poder. Roberto Ferreira
Cafôfo não terá 3.ª oportunidade para causar uma 2.ª boa impressão
1. A recente bagunça política registada com o novo executivo da Câmara do Funchal veio levantar fundadas desconfianças sobre quem protagonizou a tão desejada mudança no espetro político regional. Paulo Cafôfo teve o engenho de derrubar o ciclo poder cristalizado que o PSD/M protagoniza na Região há quase duas décadas. Visto de fora e sem mergulhar nos embustes que os aparelhos partidários urdem nestas ocasiões, querendo impor à força a vontade dos seus dirigentes e apaniguados, o mérito da conquista da principal autarquia da Região foi de Cafôfo, em primeiro e em último lugar. É óbvio que no seio de uma tamanha coligação de partidos, tão díspares entre si, se originaria, dia menos dia, problemas e desentendimentos. Mas o homem que venceu as eleições sabia disso, tendo sido ele o líder e o cabeça do projeto. Os funchalenses não votaram no PS e muito menos no PND. Votaram num estilo que veiculou o espírito da mudança e que deu aos madeirenses em geral a esperança de uma renovação tão esperada. Quiseram que, depois de eleito, fosse capaz de romper com as clientelas, com a política do favor e de garantir independência face ao governo regional. O povo não votou em portadores de “egos insuflados”, em intriguistas e muito menos em personagens dispostos a lavar “roupa suja” na praça pública, imagem tão familiar no interior dos partidos em ebulição. Dispensável. Passada a confusão, fica o registo: Paulo Cafôfo não terá uma terceira oportunidade para causar uma segunda boa impressão. Quem o colocou na cadeira presidencial corre-o em três tempos pela porta dos fundos, remetendo-o à banalidade política. Se quer reconquistar os seus concidadãos e renovar a esperança que consubstanciou, terá de interiorizar que as contas do seu mandato devem ser prestadas aos munícipes e não ao líder de qualquer máquina partidária. Cafôfo tem uma tarefa árdua pela frente: devolver a esperança a quem lhe entregou as chaves da cidade, porque, sinceramente, ainda não é visível uma marca digna de registo da sua atuação à frente dos destinos da Câmara do Funchal. Resta-lhe esperar que se materialize o adágio popular bem conhecido: “mau começo, bom acabamento”. O PSD/M, a braços com uma crise aguda de liderança e com um desfilar sem fim de candidatos ao “trono”, agradece a desorientação que possa perdurar na casa da oposição. 2. Os resultados das eleições europeias e a altíssima abstenção verificada constituem sinais de alerta para todos os portugueses em geral e para os políticos em particular. No continente, a coligação PSD/CDS registou uma derrota histórica nas urnas. Os eleitores que se dignaram a votar retirou-lhe a base de apoio, num protesto contra uma política de austeridade desmesurada, imposta a tudo o que se mexe. Por outro lado, se o PS nacional não descolou, provocando de imediato uma crise na liderança de António José Seguro, na Madeira o que se passou? A coligação do governo central venceu as eleições! Sem as cifras alcançadas no passado, é certo, mas venceu. E isso prova o quê? Que a maioria dos madeirenses não vê este PS/M como alternativa. A sua mensagem não passa. Se no epicentro do descontentamento generalizado não conseguiu arrebatar uma vitória eleitoral, quando a vai alcançar? O Partido Socialista tem de saber ler estes resultados e ter a coragem para mudar de protagonistas, imprimido, a curto prazo, uma nova liderança, consistente, credível e portadora de um projeto claro e mobilizador. Não deve desvalorizar os resultados obtidos, nem apresentar cenários fantasiosos, concretizados numa hipotética coligação de todos os partidos da oposição para derrubar o PSD. Chegou a hora do PS/M olhar menos para o seu umbigo e mais para o interesse geral. A realização de um congresso extraordinário será a prova de que ninguém está agarrado ao poder.
Roberto Ferreira