A crise no PS, a nível nacional, já terá alastrado à Madeira, como foi notícia no Diário (*), importando todavia que se vá um pouco mais longe e se recordem algumas subtilezas das estratégias socialistas, sobre as quais tenho escrito, em diversas ocasiões. A verdade é que, na sequência da derrota eleitoral do PS, nas eleições legislativas de Junho 2011 que, subsequentemente, determinou a demissão de José Sócrates de Secretário-Geral do Partido e o emergir de António José Seguro como candidato, para substituir Sócrates, ao mesmo tempo que, muito discretamente, já tendo em vista, inclusivamente, as eleições legislativas do ano que vem e a pretensão do PS para voltar ao poder, se terá posicionado António Costa, um candidato de peso e com bem maiores créditos do que Seguro, numa perspectiva de mais largo prazo,. Toda essa estratégia se desenvolveu sem grande alarde, escapando mesmo o comentário dos especialistas nessa área, parecendo ser tempo de relevar-se mais esta faceta das estratégias socialistas. Ponderada que foi a “fatalidade” que seria de, sem Costa, o PS perder Lisboa, havia que negociar, ali mantê-lo, até, pelo menos, as eleições autárquicas que se realisaram no passado Outono, o que foi um facto. Assim, assegurada que foi a liderança de Lisboa, já é possível, agora, libertar Costa para a chefia do PS e para, como não admira, Costa vir a ser o próximo líder dos socialistas, derrotando Seguro no congresso do partido, como se antecipa, desde modo abrindo o caminho para a tão ambicionada chefia da governação do País. Não constitui surpresa que, na Madeira, um esquema idêntico se desenvolva para, a reboque de habilidosa estratégia, promover o afastamento de Victor Freitas e a sua substituição por Carlos Pereira que, obviamente, reune mais sólidas condições para dirigir o PS a nível da Região e, a seu tempo, vir a disputar uma maioria, a nível do Parlamento da RAM.

Francisco Leite Monteiro