Juvenal Caldeira Veio-me à memória a casa do povo de Boaventura, na década de setenta do século passado. Sim, nesse tempo, podia-se falar em casa do povo. Era mais uma versão dos actuais centros cívicos. Lá funcionava a recém instalada junta de freguesia,´presidida pelo sr.José da Conceição Dias, eleito pelo CDS. Funcionava o Dispensário (cento de saúde) com especial actuação na saúde materna e infantil, a caixa de previdência, o Centro e o jardim de infância. O Centro era um multifacetado atelier, orientado pela srª Neves, onde as moças desenvolviam actividades. Aprendiam a costurar, tricotar, fazer crochet, e bordar vários tipos de bordados, desde o ponto de cruz até o bordado madeira. Na prática o centro formava a prendada dona de casa, e desde que a mesma tivesse uma relativa assiduidade, ainda ganhava o abono. O jardim de infância o qual eu tive a grande sorte de frequentar durante dois anos, esse desempenhou especial relevância como primeira formação de muitas crianças. Tinhamos aulas de etiqueta, de moral e religiosa, ginástica, cantávamos, diziamos poesia, etc. Os mais abastados reclamavam da qualidade da comida, mas eu, como em casa não tinha melhor... Ainda recordo a “menina” Luísa e a “menina” Lídia, minhas educadoras, que pacientemente nos tentavam transmitir alguns conhecimentos. Esta era uma casa do povo inclusiva, e não reservada apenas a algumas elites. Não havia eventos de cartaz, eram outros tempos. Tempos que não se falava de divida, da falta de apoios, da falta de pessoas activamente participativas nas actividades lá desenvolvidas.