Quando o austríaco Felix Baumgartner saltou em 2012 de um balão a 39 quilómetros de altura, aterrando 4 minutos depois num deserto do Novo México, batendo o recorde mundial, estaria longe de prever que o seu recorde duraria pouco. Na verdade, no passado domingo, Alberto João Jardim e o seu PSD superaram todas as expectativas. Em 2007, saltou dos 90 339 votos para os 74 424, a seguir, em 2009, caiu para os 71 556, logo depois, em 2011, veio a pique para os 47 207 e, no passado domingo, “aterrou” nos 26 979 “Likes”, mesmo que com uma muito ténue ajuda do CDS. Ao contrário de Baumgartner, Jardim optou por não usar o paraquedas. Permitam-me enumerar algumas razões do seu recorde. - Ao contrario do Neo-liberalismo de Passos Coelho, Jardim apostou no Neo-proteccionismo, protegeu os interesse de grupos, protegeu os que tem cartão laranja, protegeu o modelo económico que prima pela obra e desprima pelo seu posterior pagamento, - Não preparou a sua sucessão e são agora os seus delfins, os mesmos que nunca disseram mal do sistema, que agora vasculham os baús da oposição, descobrindo propostas com dezenas de anos, como sejam o fim do Jackpot ou do escândalo do Jornal da Madeira, - Desprezou a competitividade da economia regional, agora incapaz de reduzir o desemprego abaixo dos 23 062 desempregados, das falências abaixo das 3360 empresas e dos 5495 madeirenses em emergência alimentar. - Não cultivou a democracia, a tolerância e não acarinhou uma cultura de diálogo político, tão úteis que teriam sido para evitar, por exemplo, o colapso da Câmara do Funchal, causada por um cocktail de partidos radicais, subitamente no Poder, mas mais habituados em destruir do que a construir pontes e a cooperarem para um objectivo comum. Felix Baumgartner aterrou e comemorou com champanhe o seu feito. Jardim ainda não sabe o futuro, mas certamente não terá igual comemoração, pois o recorde recente ofuscará os feitos mais antigos. Soubesse ele sair a seu tempo…

Mário Pereira Deputado do CDS