Sérgio Potier Resolvi votar nestas eleições no partido da CHAMA, apesar de estar hesitante, e com vontade de juntar-me à maioria de 2/3 que não votaram, resultando esta abstenção (66%, com os votos brancos e nulos chegou aos 70%), não só pelo desinteresse e descrédito nos politicos, mas porque os portugueses e os outros cidadões europeus, não estão dispostos a aturar o direito derivado proveniente da UE. Em Portugal, 80% da legislação europeia vem da UE e é aplicada no direito interno, além de que, Bruxelas tornou-se um paraíso para um exército de lobistas capazes de afectar interesses económicos. Direito ao lobbing sim, mas com transparência. Por outro lado, sendo a UE uma instituição supranacional, padece de um irremediável défice em termos de legitimidade democrática. Quanto maior é a distância entre o representante e o eleitor, menos legitimo é o representante. A legitimidade requer proximidade. Mas, os eurocratas gostam muito de confundir a Europa com a UE. Sou português europeu, por isso, fui votar, mas sou um eurocéptico. A maioria dos governos evitam deliberadamente o Referendo a tratados com medo que os eleitores os recusem de forma expressiva. Pergunto: que legitimidade têem os governos para não consultar os povos?. Nenhuma. O povo é soberano. Os arquitectos de UE, parece que ainda não perceberam que, o vulgar cidadão já percebeu que a UE é muito mais impenetrável e opaca, do que os seus distantes governos nacionais. Este regime e a UE estão em queda livre. Estamos a presenciar o retorno à Europa das Nações. Antes destas eleições europeias uma sondagem revelou que 60% dos portugueses não sabiam o nome de um ùnico deputado nacional a exercer o mandato anterior no Parlamento Europeu. Perguntem aos portugueses se sabem o que é o COREPER, e se sabem que as reuiniões do Conselho Europeu não são públicas, que um deputado europeu quando deixa de o ser, recebe o salário por inteiro durante 6 meses no valor de 6.200 euros liquídos mensais, e aos 63 anos têem direito a uma reforma de 3,5% do salário por cada ano de mandato cumprido acumulável com outra pensão qualquer. Eu votei, porque tenho esperança que um dia haja um grupo nacionalista no Parlamento Europeu capaz de acabar com todas estas mordomias, ou melhor, que dificultem ou não deixem passar certas decisões no Parlamento Europeu, o que irá acontecer. Para terminar, apenas quero referir que, a prédica de DEUS NOS VALHA SE SAIRMOS DA UE, não passa de um slogan politico, porque as comparticipações dos fundos europeus a fundo perdido, não existem, já que, os recursos do estado português para o orçamento da UE provém dos direitos aduaneiros sobre importações de países terceiros (?), e das contribuições dos estados membros que transferem para a UE uma percentagem do IVA, e uma percentagem do respectivo rendimento nacional (dinheiro dos contribuintes). Não há almoços grátis. O resto é conversa.