Um rapazinho de dezanove anos resolveu um dia sonhar, direito que lhe assiste, como a toda a gente e como diz a canção, “ o sonho comanda a vida”, deitou mãos à obra e ainda que acordado foi sonhando: Um dia seria dono de um partido, que seria dirigido com mão de ferro, com o apoio, lógico da Igreja. Agarrou-se às “saias” de um tal chefe religioso e começou a sua caminhada de intoxicar o povo que mais tarde seria seu, usando métodos que aprendera na acção psicológica no serviço militar, lugar arranjado por um familiar, deputado da nação, que também era dono de um “jornaleco” afecto ao regime de então onde ele era colaborador assíduo e onde defendia com unhas e dentes esse mesmo regime. Chegou mesmo a pensar, um dia também terei um jornal meu, onde todos os colaboradores serão indicados por mim e embora sem lápis azul, terei o poder de “cortar” e de escolher à minha vontade os meus “escribas”…Mais tarde, pensou, se eu for “rei” o jornal não será pago por mim, mas pelo meu povo através dos seus impostos, não tendo eu de tirar dinheiro do bolso e o povo terá esse jornal à borla…Assim foi navegando, com o olho no seu umbigo, a todos mostrando que estaria perto o seu dia de atingir o poleiro. Para isso foi afastando todos os atrapalhos, dando instruções aos seus lambe botas, que as cumpriam à risca, não fosse o chefe se chatear e tirar-lhes o pão da boca, o carrão, a casa e muitas outras coisas e chegou lá cima de onde vigiava o seu povo, prostrado a mostrar-lhe uma vassalagem com um tamanho de cerca de setecentos quilómetros quadrados…havia alguns que não queriam se submeter a essa força e eram acusados de serem contra toda a sua região, eram espezinhados, eram considerados incompetentes, maus, só porque se recusavam lamber as suas botas…ai daquele que ousasse levantar a voz!!!! Foi mandando em tudo e todos e também premiou aqueles que o ajudaram a mandar, a espezinhar e pensou mesmo em constituir uma fundação, onde nasceu um prédio, onde reuniria com aqueles que saberiam dizer ámen a tudo o que ele dizia, onde contava anedotas e todos eram obrigados a rir, a tal ponto de serem mais fieis que o próprio chefe, pois bastaria dizer riam e eles riam, disfarcem-se e venham comigo de cara pintada de negro, tal como os Zulus e dava espectáculo entre as alas dos seus vassalos que o aplaudiam à sua passagem, mas não vá o diabo tecê-las, a segurança acompanhava-o, sempre à vista, mas do passeio…a propósito desta segurança, também tinha piada quando ia para as suas festas na praia, de onde saia toda a gente bem alcoolizada, a segurança levava a arma embrulhada em toalhas pequenas, pois também passeavam em trajes menores… O sonho foi grande e não há espaço para descrever todos os sonhos e pelos vistos demorou muitos anos, em que não havia nem noites nem dias, era tudo seguido e quando acordou olhou para o espelho, estava careca que disfarçava indo buscar o cabelo atrás da orelha contrária para disfarçar essa calvice e a mijar para os sapatos…Lá se tinham ido os 19 anos, que nem com a melhor maquilhagem conseguia disfarçar. Grande parte dos seus amigos começaram a abandonar o barco, antes que fosse tarde, inclusivamente diziam que nunca tinham sido amigos dele, nem sequer concordavam com aquilo que tinha feito. O seu povo estava sujeito a um grande aumento de impostos e já não o queria, recusava-lhe o voto…o sonho chegara ao fim…. Nota: Qualquer semelhança com a vida real é pura coincidência.

Duarte Caldeira Ferreira