Dalila Vieira Não sei se alguma vez um ser (que tem tudo menos de humano!) que tenha tido a cobardia de abandonar um animal, tenha como hábito a leitura de livros, revistas, jornais ou foque a sua atenção neste tema ou neste artigo do Diário. No entanto, como cidadã consciente, reflexiva e interventiva que sou, optei por escrevê-lo. Sem pretensões de criticar ou apontar o dedo a alguém (pois não faz parte da minha lista de amigos pessoas que maltratam ou abandonam os animais!), venho, por este meio, deixar o meu testemunho pessoal de como um animal, não humano, pode ensinar-nos e dar-nos tanto!

“Flor” foi o nome que lhe batizei. Estava abandonada junto ao caixote do lixo, como se tratasse de uma erva daninha... Se “Flor” não tivesse atravessado a estrada naquele dia ... Esta “Flor” (em forma felina) atualmente, não existia, porque um animal mesmo que saiba caçar, não consegue sobreviver só disto! “Flor” não tinha oportunidade de crescer e desabrochar. Tão frágil e desidratada que estava! Levei-a à veterinária, que receitou soro e leite em pó, próprio para crias que, muito cedo, perderam os laços com a sua progenitora. Eram poucas as hipóteses de sobrevivência … Devido à sua “esperteza” e persistência, à minha dedicação e à da minha família, “Flor” cresceu em solo fértil, alimentada com amor, sol e água.

A “Flor”, aos poucos, foi “desabrochando” e evoluindo, como se tivesse ganhando nova vida numa estufa de afetos. Aos poucos, este ser tão minúsculo, foi-nos ensinando a ser grandes! Fomos crescendo, com a “Flor” e construindo, juntos, um jardim de felicidade! Ficamos surpreendidos com os seus instintos e as suas ações (quase humanas!): desde o olhar atento aos mínimos ruídos, movimentos ou detalhes; as suas brincadeiras, inocentes e divertidas, como se de uma criança tratasse; a sua perspicácia em adivinhar situações mais inusitadas, … um conjunto de sinais e de formas de comunicar que só quem convive, diariamente, com os animais, aprende a decifrar.

Ainda bem que “Flor” cruzou-se no meu caminho, naquele dia, naquela hora e tornou-me um ser mais humano, atento e feliz. Uma coisa tenho a certeza, “Flor” veio dar mais cor ao meu jardim …