Por vezes, nós tropeçamos... caímos num fundo qualquer, algures reservado para nós. Os fundos e fundinhos não se aliam a enganos nem leituras persuasivas, são génios recantos que escondem uma preciosa luz capaz de esculpir um radiante sol num dia madrasto de inverno.

Por vezes, nós tropeçamos... propositadamente sem propósito, um misto perfeito entre o intuito dos Deuses e um dos nossos tão fantasiados desejos.

Somos bruscamente atirados para um buraco como se de pano fôssemos feitos, revoltamo-nos e não vemos o que quer ser visto.

Por vezes, nós tropeçamos...apenas para encontrarmos algo que aguarda por nós num fundo ou fundinho, algo que não seria descoberto se estivéssemos no alto olhando com arrogância para o fundo.

Por vezes, temos de saber tropeçar para conhecermos todo o seu saber, temos de saber descer para agarrarmos os bónus da vida. O que nos define enquanto pessoas é a forma como nos erguemos depois de mais uma aula adquirida num fundo ou fundinho.

Infelizmente, muitas pessoas matam-se com a sua própria desistência face a uma queda. Como se de uma cultura tratasse, olhamos o povo e deparamo-nos com os mesmos hábitos e fracassos, modos de viver adquiridos nas primeiras fases de aprendizagem. Hoje, copiam-se todos uns aos outros, porquê? Onde está a autonomia que dizem ter? É apenas uma máscara para situações convenientes.

Não condeno aqueles que até hoje criaram-se através dos espelhos da sociedade, condeno sim aqueles que não lutam por serem líderes de si próprios marcando, assim, uma assinatura com direitos de autor. Enchem-se de clichés “nunca é tarde para mudar; nunca é tarde para aprender; Deus escreve direito por linhas tortas”, detesto clichés vazios proclamados para o ar! Gosto sim de clichés outrora vividos e ricos de conhecimento e moral!

Todas as quedas sao inúteis para um ser que despreza a sua utilidade. Todas as quedas são pequenas, todas elas insuficientes para aquele atleta da vida que enxerga a beleza dos fundos e fundinhos. São precisos novos hábitos, um nova “cultura” onde reine a força e a gratidão, onde a queda seja motivo de uma nova tentativa.

Tentar, cair, tornar a tentar...erguer-se, conquistar armas, conquistar conquistas. Olhar o que não é olhado, escutar o que não é escutado.

Mergulhar pelas profundezas das coisas, evidenciar o que não é evidente, saber analisar os acontecimentos para lá daquilo que se apresenta no primeiro olhar. A vida codifica os significados das suas acções, todavia ninguém disse que esses códigos eram inacessíveis, compete a cada ser saber até onde quer explorar. Tentar, cair, tornar a tentar...saber lutar pelos objectivos pretendidos sem nunca desistir. Se existem metas bem estabelecidas e cimentadas na nossa estrada significa que estas possuem um imenso valor, se estas não contraíssem uma notória importância jamais teriam sido cimentadas. Por conseguinte, o esforço e o suor uma vez vividos justificam a grandiosidade que nos espera.

Batalhar incessantemente por todos os objectivos delineados tem de constituir uma lei pioneira na vida de cada um. Nutrindo um bom coração e uma fé infindável não há tempestade que derrube um sonhador.

Tentar com a mesma ânsia que fez de nós guerreiros na primeira investida aos leões, tentar como se nunca tivéssemos tentado. Tentar, sinal de que sorrimos para as adversidades e contra um sorriso tão genuinamente poderoso não há fundo que nos roube das preciosidades da vida. Sorrir com a alma espanta todos os céus nublados que ousam desafiar o nosso ser.

Motivem-se, conheçam os vossos fundinhos, desafiem os vossos limites, superem todas as condicionantes que induzem a vossa desistência. Queda após queda, expostos à chuva e ao sol, tentando e triunfando irão construir o império ambicionado.

“Seja um sábio de si próprio, só assim saberá como ser um sábio dos caminhos do mundo”, recentemente disse isto, quando pensava alto para quem quisesse ouvir. Experimentem e surpreendam-se!

Carina Santos