Terminou mais um campeonato de futebol que, para não variar, teve alguns episódios peculiares que a posteridade se encarregará de avaliar. Tivemos cada vez menos espectadores, justificados com a crise; tivemos espectáculos bem mais pobres e casos extra-futebol bem mais ricos. Se este é um espectáculo caro, não será de exigir mais qualidade e maior dinâmica nos jogos ? Porque é que há cada vez menos treinadores a jogar para o espectáculo ? O Benfica foi a excepção a isto em Portugal. Será que afinal tínhamos um Jesus oculto ou descobrimos Jesus, o culto, repentinamente ? Erich Fromm afirmou que “a ânsia de poder não é originada na força, mas na fraqueza.” Será por esta razão que o futebol renasce e perpetua-se em cada jogo com um somatório de novas coisas e novas histórias. Ou será este o intróito para uma reinvenção do futebol ? Ontem fomos chamados a votar para as eleições europeias. Mais uma vez se viu o divórcio existente entre a população e a Europa. Bruxelas fica demasiado longe, e nem os apelos ao voto com voz de mel da classe política afoga o fel que se vem sentindo há demasiado tempo. É crucial aparecerem novos e melhores políticos com outra honestidade, pois a descrença sobre a mensagem europeia faz eco. Também não percebo as decisões da justiça portuguesa, nomeadamente no caso dos submarinos. Como é que na Alemanha os arguidos deste caso já foram julgados e condenados por corrupção e em Portugal os arguidos do mesmo caso foram absolvidos ? Será que na Alemanha os submarinos eram de aço e em Portugal são de plástico? Há sempre um tom de poesia na justiça de cada um, mas assim é demais. E não vale a pena dizerem que a flor de um amor de burro pode iluminar a sensibilidade de um poeta, porque essa já não pega… Até breve.
João MM Castro Psicólogo Clínico