Da semana que passa, e sobretudo das tumultuosas Europeias, ficam sob suspeita:

Os abstencionistas. Quase 7 em cada 10 madeirenses não foram votar nas Europeias. Mais grave do que o valor recorde é ter quase a certeza que muita desta abstenção rima com alienação, pois não resulta de uma opção consciente dos seus efeitos, mas sim de um angustiante estado de alma de quem se demite de dar atenção à política consequente ou de reflectir no rumo que a democracia leva. Mais do que preocupante, a abstenção galopante carece de remédio imediato.

Os alucinados. António José Seguro. Por ter perspectivado uma vitória estrondosa que depois foi reduzida “a grande vitória", dimensão que o triunfo socialista acabou por não ter. José Manuel Coelho. Por considerar que António Marinho e Pinto "é um epifenómeno", esquecendo-se que também o foi, quando, por exemplo, obteve 189.918 votos nas Presidenciais de 2011, por sinal, mais 167 mil do que ontem. Lopes da Fonseca. Por presumir que foi a alegada carta que o CDS-PP na Madeira enviou aos militantes que garantiu parte dos 26.979 votos na Aliança.

Os ‘outsiders’. Os partidos sem representação parlamentar conseguiram 10,85% dos votos na Região, mais do que o surpreendente MPT. Na prática, a proliferação de forças e a fragmentação rendeu 9.450 votos e constitui uma espécie de terceira força regional, a tal ‘Arca de Noé’ que seduz quem perspectiva desde já coligações para 2015. Qual será o preço do hipotético acordo com a diversidade?

Os desencantados. São a quarta força na Região. 8,61% dos votos expressos ontem surgem sob forma de nulos e brancos. Ou seja, 7.500 almas deram-se ao luxo de ignorar, nalguns casos com requinte, as 16 candidaturas. Estaremos perante uma reserva de eleitorado à espera de propostas válidas ou de gente comprometida com o protesto permanente?

Os ridículos. E entre os muitos, Jardim é o mais vistoso. Se os valores da abstenção são como diz um voto de censura ao regime político-administrativo que vigora desde 1976 e é preciso a tal revisão constitucional de que está à espera para tomar assento em São Bento e apresenta o tal projecto de mudança que está pronto mas não sai da gaveta?

Os sofredores. A malta do PSD e CDS na Região pois viu 70% do eleitorado negar a aliança proposta. Os comunistas e bloquistas porque perderam, respectivamente, 2.756 e 2.467 votos entre as duas ‘Europeias. E os fervorosos do PND que celebraram ontem à noite de forma inédita o resultado na Região, fazendo jus ao slogan: ‘Dói, não dói?'!