Délia Rodrigues Não há religião superior à verdade! Que se desiludam todos aqueles que pensam que as religiões (principalmente a igreja católica) são os representantes de Deus neste planeta Terra. Deus não tem nada a ver com catedrais e igrejas decoradas com retábulos de talha dourada, pinturas com cenas celestiais, altares enfeitados com flores e esculturas de santos. Deus não tem nada a ver com dogmas ridículos, livros de escrituras sagrados, paramentos bordados a fio de ouro e ornamentados com pedras preciosas. Deus não tem nada a ver com vidrinhos com água e terra santas, muito menos com cerimónias de primeira comunhão, crismas, beatificação e canonização de santos! O que as religiões pensam sobre Deus e têm transmitido à Humanidade há vários séculos está completamente errado. A maior das ironias é o facto de as religiões darem tanta importância à palavra de Deus e tão pouco à experiência. Com efeito, atribuem tão pouco valor à experiência que quando aquilo que experienciam de Deus difere do que ouviram dizer de Deus descartam-se logo da experiência e apossam-se das palavras, quando devia ser ao contrário. Lá longe, noutra dimensão, existe o centro de tudo, o que perpassa nesta galáxia. Dele partem todas as forças, nele se sintetizam todos os movimentos e se equilibram todos os afluxos e refluxos cíclicos que exteriorizam o bater do coração vital. Esse ponto é o fiel da balança do equilíbrio galáctico, assim como é subsidiário de outro ponto inimaginável, sempre além dos nossos conceitos. Dali se exerce a lei última que nos governa, e traça ou mantém traçados os travejamentos vívidos de que são feitos estrelas, sistemas, planetas, cometas, reinos da natureza, matérias e evoluções. O verdadeiro esqueleto da galáxia, como o do universo, é espírito, puro espírito, autor de todas as vibrações. Todos os esqueletos, de todos os seres - deuses, anjos, homens, animais, elementais ou outros -, são traçados nesta analogia que é real. Entretanto, a energia que circula por todas as colunas vertebrais de todos os seres, em todos os lugares, mantém vivas a activas as periferias e as exteriorizações mais deusas e grosseiras de todos eles. É assim que nós, seres humanos, vivemos como também os animais, os vegetais e até os minerais. Para que essa energia latente na periferia de nós e de todos os seres possa regressar à liberdade e à perfeição restabelecendo o reino da luz, nós reencarnamos sucessivamente e tudo reencarna sucessivamente nos céus e na Terra. Essa energia é o testemunho da nossa involução, o garante da nossa evolução, a razão da morte e da ressurreição. Ela é uma âncora e uma águia! Só que andamos demasiado ocupados nas questões que preenchem o nosso orgulhoso entendimento, dum extremo ao outro. Andamos demasiado agitados para sentir qual a correcta direcção que somente é sentida quando o apelo do espírito ressoa na matéria e a alma em nós cresce para ele. Assim é Deus!