Ao intitular os artigos da forma que o fiz, tive sempre para mim que este seria dedicado ao tema da Inovação, Ciência e Tecnologia. Porque essa é a questão central nesta temática. É preciso, em absoluto, abrirmo-nos ao novo ! Em todas as áreas ! E, fundamentalmente, não ter preconceitos de qualquer ordem (porque nem inovação nem ciência se conjugam com aqueles). No fundo, o que é importante é que se olhe para o que se tem, para o que nos caracteriza (e em especial diferencia) e se perceba se, em cada uma dessas áreas, o podemos de forma diferente, melhor e mais eficiente do que nós próprios (no passado e no presente) e do que outros. Mas também associando-as (no que Porter vulgarizou como “clusters”) mesmo que à partida pareça que nada as interliga, pois como o próprio o sublinha “a inovação significa encontrar novas combinações com velhos elementos”. No turismo. Na agricultura. No turismo e no ambiente. No mar. No mar e na produção energética. Na oceanografia, na biologia e nas pescas. No ambiente, na saúde e no turismo. Nas novas tecnologias, aproveitando, a propósito, a experiência do M-ITI, que pode ser replicada para outras áreas. Como se costuma dizer ... you name it! E estas questões são tão mais pertinentes quanto o novo paradigma de competitividade é baseado no conhecimento, na inovação e na especialização. Não no que não acrescenta valor, no que se limita a replicar processos. Referenciada a atitude, neste particular nada despicienda porque deve ser alargada à sociedade como um todo e assumida como praxis diária (nas famílias; instituições públicas e privadas) demos uma vista de olhos “ao como fazer”. Em primeiro lugar, há que perceber bem o que nos caracteriza e quais os nossos pontos fortes (ou potenciais), as nossas verdadeiras vantagens competitivas face a terceiros, já que não tendo dimensão, nos temos de ater ao que verdadeiramente nos diferencia, ou pode diferenciar. E, concomitantemente, escolher ao que nos vamos dedicar. No fundo, de forma estratégica, fazer opções, fazer escolhas, que levem também em consideração o que a Europa pretende neste campo. E financia... De novo citando Porter, focando-nos no nicho (ou nichos) específicos que temos, ou formos capazes de criar. Assumindo que há já, como diz Moingeon (professor de Harvard e do Insead que há uns anos visitou a Madeira), activos intrínsecos, como a localização; o clima; as características sociais, entre outros, e capital instalado, decorrente das experiências vividas económica e tecnologicamente na Madeira, que criou competências e assegura já um conhecimento tácito (ou enraizado na sociedade nessas diferentes áreas). E não menos importante, como o referia ainda o professor, capital disponível na diáspora, aos mais diferentes níveis, dos EUA à Austrália e da Suécia à África do Sul, de Madeirenses (ou descendentes) disponíveis para participar. Mas também instituições congregadoras (escolas; universidades; centros de investigação), bem como instituições catalisadoras / financiadoras que, cumulativamente, vão definir a tipologia, a capacidade e a escala do (ou dos) clusters. Para tal é necessário, entre outras acções, induzir e facilitar o processo de atracção de pessoas disponíveis e competentes para nos transferirem o seu conhecimento (e talento) bem como promover apoios fiscais efectivos às empresas que desenvolvam ou apoiem projectos de investigação e desenvolvimento nas áreas que se definirem como cruciais. Mas também majorar os projectos que envolvam várias instituições dos diferentes sectores, de modo a criar uma verdadeira cultura de inovação, que passa, em 1ª instância, não pelo isolamento (vulgo “defesa de quintas” que mais não é do que a sonegação do próprio processo científico) mas pela cooperação.
Francisco Santos Militante do PSD-M