Há exactamente 90 anos, o “Sport do Funchal” dava conta do início das obras do Stadium dos Barreiros, construído pelo Nacional, “um pouco além do ribeiro seco”, na freguesia de São Martinho com a qual o clube mantinha uma relação umbilical. Seria, dizia a peça, “a maior obra na Madeira em prol do sport [pois] com o desenvolvimento sportivo adquirido, o Funchal merece um bom campo de jogos que substitua o velho Campo Almirante Reis”. O jornalista continuava afirmando que “o Stadium ficará sempre, superior a todas as razias, a todas as ambições e tangível mesmo à mais reles e mais intensa política clubista”. Hoje, tantos anos depois, o Estádio dos Barreiros continua de pé e manter-se-á mesmo que se lhe mudemos o nome, as características e a dimensão. Continuará a ser um espaço de referência para muitos madeirenses, dos mais diversos clubes, local onde se festejaram muitas alegrias e se choraram muitas tristezas. A marca que deixa na história da região é indelével. É um espaço mítico cujas raízes nunca serão apagadas, mesmo que a sinalética original tenha sido destruída. A história não se apaga, mesmo que não gostemos dela. A história não se ignora só porque a verdade não é favorável aos nossos argumentos. A forma como este espaço vinha a ser tratado era inaceitável. Com as obras paradas, ou em marcha muito lenta, aquilo que se via não agradava a ninguém. Congratulo-me por terem sido retomadas as obras que darão nova cara a este espaço quase centenário. Retomando aquilo que dizia o autor da notícia de 1924 espero que não nos esqueçamos daqueles que lançaram a primeira pedra, de todos aqueles que acimentando, relvando ou projectando construíram um espaço que, em muito, permitiu o avanço do desporto insular. Num espaço tão amplo e polivalente haverá, por certo, um espaço para relembrar e homenagear quem fez nascer o Stadium dos Barreiros.

Andreia Nascimento Directora de Comunicação