Em dia de eleições europeias, parece dever evitar-se a abordagem de temas ligados à política pura, seja ela europeia, nacional ou regional, o que, nos tempos que correm, não parece ser fácil. Ainda assim, depois de fazer um breve relance sobre os assuntos que já abordei neste mesmo espaço, optei por escolher o Porto Santo e o seu campo de golfe, um dos temas de que mais vezes me ocupei – a primeira, vai fazer 12 anos – a propósito da construção do golfe que, com as suas alegrias e tristezas, como se sabe, muito deu e ainda poderá dar que falar. Desde então, foram muitas as chamadas de atenção e as considerações que a propósito fiz, rotulando de “equívoco” certas atitudes e sobretudo afirmações que, a propósito do golfe, foram feitas, quase fazendo crer que o golfe seria uma panaceia, ou quase, para se vencer e resolver os efeitos da sazonalidade, que era e continua a ser, crucial para o desenvolvimento da nossa “Ilha Dourada”. Ora, decorrida uma década desde a sua inauguração e desde que foram produzidas algumas enormidades, por responsáveis do poder local, que pretendiam fazer rotular o Porto Santo, de um “destino de golfe”, comparável ao Algarve ou à Grande Lisboa, desmontadas que foram as mesmas, o golfe do Porto Santo voltou, nos últimos dias a ser notícia e causa para alguma apreensão. Um problema de falta de rega dos campos de golfe – em resultado de uma avaria geral do sistema de abastecimento/distribuição de á gua, provavelmente decorrente de deficiências ao nível dos serviços de manutenção do campo que, por sua vez, segundo noticiou o Diário, remeteram a responsabilidade para a Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo – como tal, um problema adicional que poderá constituir uma séria ameaça à sobrevivência da relva. Ora, questões como estas, aparentemente menores, afectam o golfe e, sem dúvida, o desenvolvimento regional apetecido, a que o Porto Santo tem direito, trazendo à memória, comentários anteriores relacionados com a dependência do golfe de Porto Santo, de Serviços Públicos – a SDPS – entenda-se, a gestão de uma infraestrutura como é um campo de golfe, para que não estarão, pura e simplesmente vocacionados, como tive oportunidade de salientar [Diário, 12.08.2012] e que a rematar lembrava «... que continua a não existir informação completa sobre a rentabilidade dos projectos em geral e da exploração do golfe, em particular, é uma situação que sendo diferente da situação ora em discussão a nível nacional, sobre as fundações, logo vem à mente, importando questionar, por exemplo, quanto ao passivo, como também já levantei em notas publicadas no Diário ...» É o desenvolvimento de Porto Santo que continua a estar em jogo e, como já escrevi “O Porto Santo merece isso e muito mais”. [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]
Francisco Leite Monteiro